PR reconhece contributo de Cuba para o fim do regime do apartheid

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou ontem, em Havana, que o combate conjunto de Angola e Cuba contribuiu decisivamente para contrariar a agressão das forças externas que pretendiam pôr em causa a soberania e integridade de Angola, bem como para acelerar a Independência da Namíbia e pôr fim ao regime racista na África do Sul

Discursando na prestigiada Universidade de Havana, onde estudam jovens angolanos, reconheceu que os internacionalistas cubanos constituíram “uma importante força de dissuasão contra aqueles que pretendiam impedir a libertação dos povos angolano, namibiano e sul-africano”. João Lourenço, que efectua a sua primeira visita de Estado a Cuba, considerou a África Austral, durante décadas, como tendo sido uma das zonas de maiores conflitos do planeta.

“É hoje uma região completamente livre do colonialismo, com democracia e em franco desenvolvimento económico e social”, afirmou. Sobre o contributo de Cuba a Angola, o Presidente da República afirmou que o povo angolano continuará grato aos “heróicos combatentes cubanos que tantas vezes com o sacrifício das suas próprias vidas, atravessaram o Atlântico” para defenderem os mais elevados valores do ser humano.

Operação Carlota

O Presidente da República destacou ainda que durante a histórica “Operação Carlota”, milhares de cubanos se sucederam durante anos em Angola, prestando o seu apoio não só na área militar, mas em muitas outras frentes, em condições adversas. Trata-se de médicos, gestores, professores, construtores e muitos outros profissionais que participaram na defesa da soberania e da Independência Nacional, na reconstrução económica e social, na organização de Estado, no ensino e na Saúde, afirmou.

Reconhecimento

No seu discurso, o Chefe de Estado angolano reconheceu que, apesar do bloqueio de que é vítima, Cuba atingiu níveis altíssimos de qualidade internacionalmente reconhecida, nos domínios da Educação, da Saúde e da investigação científica. João Lourenço disse ainda que as autoridades cubanas continuam, tal como no passado, a apoiar os povos que lutam pela sua liberdade e dignidade, “enviando os seus melhores quadros da saúde e professores para as regiões carentes e em crise”.

O apelo aos jovens para manterem espírito solidário

Por outro lado, João Lourenço apelou aos jovens estudantes universitários, que se devem orgulhar de todos os que os ante cederam em missões internacionalistas, e que mantenham “sempre o espírito generoso e solidário que tão bem caracteriza a juventude cubana”. Disse ser necessário recordar o passado e analisar o presente e o futuro das relações de cooperação entre Angola e Cuba no domínio do ensino e da formação. Ressaltou que Cuba respondeu prontamente ao pedido de apoio de Angola para a formação de quadros desde os primórdios da Independência Nacional. “É assim que logo no ano seguinte, foi assinado entre os dois países um convénio relacionado com a educação, que mobilizou milhares de professores cubanos para prestarem serviço em Angola”.

Acrescentou que a visão política do primeiro Presidente Angolano, Agostinho Neto, entendeu a necessidade premente da formação de quadros para assegurar o desenvolvimento do país. “Cuba acolheu em 1977 o primeiro contingente de angolanos com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos na Ilha da Juventude, continuando os seus estudos em diferentes universidades, incluindo esta de Havana, onde permaneceram até à sua formação superior em diversas especialidades”. Reforçou que tem sido até agora o país que mais tem contribuído para a qualificação dos quadros angolanos que se empenham no processo de desenvolvimento de Angola. “Nunca é demais expressar de forma clara e inequívoca os nossos profundos agradecimentos por esse importante papel”, reconheceu João Lourenço.

Cooperação estável no ensino

O Chefe de Estado afirmou que o padrão de cooperação entre Angola e Cuba mantém-se estável, quer pelos docentes cubanos que vão leccionar em Angola, “quer de angolanos que vêm para Cuba estudar”. João Lourenço entende que os desafios que hoje se colocam a Angola passam necessariamente pela aposta sistemática na formação de quadros em áreas consideradas estratégicas e prioritárias para o desenvolvimento do país. É com base nesta aposta que o Governo angolano tem “gizado a Política Nacional de Desenvolvimento de Recursos Humanos, já em fase de implementação”, disse.

Objectivos

João Lourenço explicou que com a política de formação de quadros pretende-se responder ao conjunto de desafios referente à melhoria da qualidade do “nosso Sistema de Ensino, que passa por uma formação de professores mais exigente, capaz de garantir que as funções sejam asseguradas por docentes devidamente qualificados e com bom desempenho, uma área em que Cuba tem comprovada experiência e com a qual desejamos contar”. João Lourenço revelou que o país pretende formar em Cuba quadros angolanos em áreas críticas, priorizando sobretudo aquelas cuja oferta em Angola é deficitária ou inexistente, fazendo recurso à oferta existente nas várias instituições cubanas com tradição e qualidade, como é o caso da Universidade de Havana.

“Estamos a reformular o nosso Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação, dedicando uma atenção especial à formação de doutores e ao desenvolvimento de investigação aplicada às áreas da saúde, agricultura e pescas, indústria, petróleo, gás, recursos naturais, ambiente, energia, telecomunicações e tecnologias de informação e turismo, que são cruciais para a diversificação da nossa economia”, explicou. O Chefe de Estado justificou mais aposta na formação porque as pessoas são a maior riqueza que um país pode ter “e Cuba é disso um excelente exemplo, pela aposta que faz na formação de quadros e no investimento no conhecimento e na investigação científica”, sustentou. O Chefe de Estado, que se faz acompanhar por uma importante delegação do Governo, disse estar convencido de que a promoção de uma maior proximidade e diálogo destas instituições com o sector produtivo asseguram uma maior oferta de emprego e permitem uma maior inserção competitiva dos dois países na economia internacional.

Futuro das relações

No seu discurso, sublinhou que o futuro das relações entre os dois países passa pela criação de medidas que possam incrementar a mobilidade dos académicos e investigadores, realizando projectos de investigação conjuntos, orientados para a resolução de problemas das populações e das empresas e para a promoção do emprego científico nos dois países. “Considero que as relações de amizade e cooperação entre Angola e Cuba são estratégicas e que juntos podemos assumir o compromisso de as elevar para patamares de excelência”, concluiu.

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