Research Atlantico: A Cimeira do G20

Os representantes do G20 – grupo das 20 maiores economias mundiais- reuniram-se nos dias 28 e 29 de Junho, em Osaka, no Japão

O G20 é formado por ministros das finanças e chefes dos bancos centrais de 19 nações, sendo os que fazem parte do G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão, Reino Unido e a Rússia) e mais 11 países emergente (Brasil, Argentina, México, China, Índia, Austrália, Indonésia, Arábia Saudita, África do sul, Coreia do sul e Turquia). A União Europeia, em bloco, é o vigésimo membro, representado pelo Banco Central Europeu e pela presidência rotativa do Conselho Europeu.

A reunião que se realizou pela primeira vez no Japão abordou temas como: economia global, comércio e investimento, inovação, ambiente e energia, emprego, empoderamento das mulheres, desenvolvimento e saúde. Entre os temas acima descritos, o futuro do comércio dominou o primeiro dia das reuniões. A preocupação com o comércio global foi notória, sendo debatido temas desde a remodelação da Organização Mundial do Comércio à tendência do proteccionismo liderada pelos EUA. O primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, declarou que a economia livre e aberta é a base para a paz e a prosperidade. Temores e descontentamentos em relação às rápidas mudanças, provocadas pela globalização, às vezes geram a tentação de adoptar medidas proteccionistas e conflitos entre as nações. Porém, a adopção recíproca de medidas comerciais restritivas não favorecem nenhum país.

No final do encontro, os EUA e a China – protagonistas da actual guerra comercial – decidiram retomar as negociações comerciais, com o presidente norte-americano a suspender as novas tarifas sobre os produtos da China, que entrariam em vigor nesta semana, tendo permitido também que as empresas norte-americanas continuassem a vender micro-processadores à empresa chinesa, Huawei, desde que as questões de segurança nacional fossem asseguradas. Do lado da China, registou-se um compromisso de compra de uma quantidade elevada de produtos agrícolas dos EUA. Entretanto, alguns analistas alertam para a continuidade da desaceleração da economia mundial, uma vez que as medidas alcançadas, entre os EUA e a China, são apenas temporárias. Importa ressaltar que os EUA não retirou as tarifas vigentes. Porém, o ambiente de optimismo dos investidores face ao entendimento entre Donald Trump e Xi Jinping refletiram-se sobre os mercados, tendo os índices Dow Jones (EUA) e CSI 300 (China) iniciado o primeiro dia de Julho com um incremento de 0,28% e 2,88%, situando-se em 26.599 e 3.935 pontos, respectivamente.

E no mercado petrolífero, o sentimento positivo dos investidores foi reforçado pela posição da Rússia e da Arábia Saudita, que acordaram estender o período de corte da produção petrolífera até o início de 2020. O Brent iniciou o dia com um incremento da cotação de 2,75%, situando-se em 66,54 USD/barril, enquanto o WTI atingiu 60,06 USD/barril, um aumento de 2,74%. Relativamente às questões climáticas o presidente da França, Emmanuel Macron defendeu uma forte referência ao Acordo de Paris sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa. Actualmente, as temperaturas em França atingiram níveis recordes, sendo que a Europa passa por uma onda de calor muito elevada, que tem gerado incêndios florestais.

Analistas alertam que as temperaturas em França poderão ultrapassar os 40⁰C, com Paris a ser a cidade mais afectada, com possibilidade de ultrapassar as temperaturas registadas no verão de 2003, em que cerca de 15 mil pessoas chegaram a morrer. Enquanto isso, o presidente Donald Trump voltou a não ratifi car o Acordo sobre o clima aprovado em 2015, em Paris. Outro ponto de destaque da reunião foi o acordo comercial alcançado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Mercado Comum do Sul), após 20 anos de negociações. É a maior área de livre comércio do mundo, sendo que mais de 85% das exportações do Mercosul para a UE fi carão isentas de tarifas. Apesar de não terem sido ultrapassados todos os temas, prevê-se uma estabilização do crescimento mundial, estimando-se um aumento moderado no final do ano corrente e em 2020.

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