“Onda” de manifestações invade Benguela e Lobito

Foram detidos ontem, 2 de Julho, sete jovens lobitangas, por protestarem de forma alegadamente “desordeira” na via pública, no município do Lobito. Participantes no grupo que a 25 de Maio se manifestou em Benguela para a exoneração de Rui Falcão, prometem continuar a lutar contra “a má governação”

Ultimamente, o “pacato cidadão” tem estado agitado em Benguela. A nova dinâmica social reflecte-se na exigência dos direitos que sintam ser lesados pelos dirigentes, gritando alto as expectativas tidas de melhoria e qualidade de vida. Foi assim que ontem, às 8h30 da manhã, Alberto José, Albino Elavoko, António Pongoti, Avisto Tchongolola, Bambi Cavalo, Martinho Prio e Silvano Olímpio, fincaram pé defronte à Administração do Lobito, contra a falta de água.

Activistas sociais, os munícipes insurgiram-se “pacificamente”, para denunciar a privação de água potável nas torneiras de suas casas na zona alta do Lobito, em bairros como a Lixeira, mas também na Canata, enunciou Livulu Prata. Todavia, as suas vozes e cartazes não se fizeram ouvir nem ver por muito tempo, pois, às 9h, a Polícia surgiu para os deter, levando os sete jovens para a 1ª Esquadra do Lobito. Entrevistado na tarde de ontem, enquanto os cidadãos estavam sob interrogatório, o superintendente Francisco Tchango, porta-voz provincial da Polícia, fez saber que os crimes dos quais são acusados são “arruaça e desordem pública, supostamente”, realçou.

Para se ter evitado a detenção, e prevenindo-se para eventos futuros, uma vez que “todo o indivíduo tem direito a manifestação” aconselhou, “deveriam escrever uma carta a pedir autorização para a manifestação, não o fizeram”. Ontem, constou a este jornal que os 7 detidos foram encaminhados para o Tribunal da Comarca do Lobito para “julgamento sumário”, que, depois, foi adiado para hoje ou amanhã, contou o activista Livulu Prata. Enquanto não decorrer essa sessão em Tribunal, até onde sabe, os seus companheiros no activismo permanecerão detidos, na 1ª Esquadra municipal.

“Sem água não há vida”

Estando a acompanhar a detenção dos seus camaradas activistas, Livulu Prata informou a OPAÍS que, esta manifestação “espontânea”, que reconheceu não ter cumprido os preceitos legais, é fruto de uma problemática recorrente. Segundo disse, a zona alta do Lobito está sem água há um mês e, o oportunismo já começou, vendendo-se “vinte litros de água a Kz 80”, despesa pesada para os munícipes que passam por dificuldades financeiras. A empresa de águas terá feito o corte do fornecimento em várias zonas porque os cidadãos não pagaram as facturas “avultadas” passadas sem contador de água. Agora, sem água, as suas vidas estão mais precárias.

Manifestações em cadeia…

Para os protestantes, este, água, é mais um problema apontado na “má governação” que acusam existir no Lobito, por isso mesmo, no passado dia 8 de Junho, manifestaram-se para a saída do administrador Nelson Conceição. Há outros antecedentes de exposição pública do descontentamento da sociedade benguelense face a práticas políticas, iniciados em Maio, dia 25, quando mais de uma centena de pessoas saíram às ruas a gritar “fora Rui Falcão.” Entretanto, terão pedido audiências junto do Governo e, alegadamente, não houve resposta. Sendo Livulu Prata subscritor, revelou que, como cidadão, não aceita a “má governação” que reina na província, convidando todos a protestar. E, por não terem obtido ainda qualquer resposta institucional, ou resultado de quem tem poder decisório, o grupo de activistas tem agendada outra manifestação, dessa vez legalizada, marcada para Sábado, 6 de Julho, em Benguela.

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