Um país, vários calendários

Telstar. Alguém se lembra do nome? Era só para situar o caso, o concurso público para o apuramento do quarto serviço de telefonia móvel em Angola, que acabaria, depois, anulado pelo Presidente da República. A Telstar tinha sido a vencedora do concurso, o que causou um grande escândalo nacional. Mas não é sobre a empresa que quero falar. Feito o escândalo, e a lavrar, João Lourenço anulou o concurso, ordenou o recomeço com as devidas correcções, criou uma comissão, que integra vários departamentos e deu um prazo para o trabalho ser apresentado. Julgamos que em um mês teríamos as bases para o lançamento de novo concurso. A licença para novo operador tinha sido anunciada pelo Presidente nas suas deslocações ao exterior, era um chamariz ao investimento estrangeiro. Passado este tempo, apenas o silêncio. Nunca mais se ouviu falar nem de concurso, nem de comissões, nem de quarto operador. O que estará a acontecer? Nisto de prazos e seu cumprimento ou satisfação pública pelos atrasos, quem quiser ir de Luanda a Benguela de carro deverá lembrar-se do prazo dado pelo ministro das Obras Públicas para a conclusão da Estrada Nacional nº 100. Das duas uma, ou o calendário acabou, ou o tempo deixou de passar. Ainda não chegamos a Junho, pelos vistos. As obras no troço do Dondo também se perderam no tempo, assim como os cerca de sessenta quilómetros da ligação entre o Cuima e o Cusse (Huambo e Huíla). Os casos são muitos. Talvez esteja na hora de se organizar uma grande convenção nacional sobre o tempo, horários e calendários, a ver se o país se acerta, isto de cada um ter o seu calendário pode não dar certo.

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