Governo descarta destruição de 200 hectares de tomate na Baia Farta

O departamento da Agricultura admite a existência de uma praga, enquanto os camponeses falam em perdas incalculáveis da produção de tomate

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

As autoridades do sector da agricultura em Benguela afastaram a possibilidade de a praga do tomate conhecida por “Tuta Absoluta”, que assola a região da Baia Farta, ter devastado boa parte da produção de tomate, numa área estimada em 200 hectares. Orlando Francisco Marcial, chefe de departamento de Vigilância Epidemiológica Animal e Vegetal, desmentiu estes dados, tendo admitido apenas o registro de prejuízo ao longo dos últimos anos, desde que a praga surgiu na região, estimada numa área de mil hectares de tomates e de outras culturas. “A Equimina só tem 225 hectares, é impossível.

Não foram afectados 200 hectares da produção do tomate”, esclareceu o responsável, tendo acrescentado que a referida praga encontra-se em proporções diminutas, resultante de acções de formação dos pequenos e médios agricultores sobre como lidar tecnicamente com “Tuta Absoluta”. “Os danos foram imensuráveis porque a praga, para além de atacar o tomate, ataca também outras culturas que são da mesma família, tais como a batata, pimento e beringela”, referiu o especialista em Vigilância Epidemiológica. Sobre as medidas de combate e prevenção, os agricultores queixam- se da falta de recursos financeiros para a sua aquisição, um assunto em que o departamento da Agricultura e Pescas pensa interceder juntos das instituições bancarias para concessão de financiamento.

Entretanto, face ao contexto actual de vulnerabilidade de pragas e doenças que atingem as culturas, as autoridades aconselham os camponeses abdicarem de culturas mais propensas à “Tuta Absoluta” evitando perdas. Este cenário, na visão das autoridades do sector, pode comprometer o investimento do Governo feito com a construção da fábrica de concentrado de tomate, localizada na região do Dombe-Grande, sendo este produto o sustento em termos de mataria-prima. A praga, que afecta igualmente outras culturas alimentares, já atingiu os três vales agrícolas da província, com particular realce para a zona do Cavaco, Catumbela e Dombe-Grande. Por esta razão é que os camponeses da Equimina, no município da Baía-Farta, contaram a este jornal que os prejuízos afectam mas de 200 hectares de área de tomate cultivada na Baía-Farta.

Tuta absoluta: uma das pragas mais agressivas na cultura do tomate

A Tuta é uma das pragas mais agressivas e recentes da cultura do tomate, sendo, actualmente, considerada uma praga chave desta cultura. A sua história teve o seu início na Europa, onde foi detectada pela primeira vez, em Espanha, em 2006, registada a sua presença em cultura protegida de tomate. Acrescente-se que “o principal hospedeiro de Tuta absoluta é o tomateiro, podendo também atacar a batateira e beringela, assim como solanáceas infestantes, como erva-moira e figueira- do-inferno. Importa salientar que nestes hospedeiros, a lagarta alimenta-se de diferentes órgãos da planta como folhas, frutos, botões florais, pedúnculos e caules, contudo, o estrago encontra-se, sobretudo nas folhas e frutos”.

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