Passaporte para poucochinho

Para nosso “orgulho”, o passaporte angolano continua a valer pouco. Ou seja, é dos menos poderosos do mundo. Agora estamos na posição noventa e cinco, quando há dois anos estávamos na noventa. Mas, se há dois anos o nosso passaporte abria as portas de quarenta e cinco países, agora abre em quarenta e nove casos. Subimos? Não. Isto significa que outros fizeram melhor e nos ultrapassaram. Somos os piores do grupo da CPLP. E na SADC apenas a República Democrática do Congo está abaixo de Angola. O poder de um passaporte diz muito, espelha a importância do país no mundo, da sua economia, a sua influência, a imagem que projecta de si. Ou seja, se formos vistos como um país desorganizado, com falta de segurança nos documentos, exportador de perigo e se tivermos uma política de fecho, então teremos de solicitar vistos de entrada e sujeitarmo-nos a tudo o resto. É fácil de entender, basta ver que o passaporte mais poderoso do mundo é o do Japão. Mas isto é importante? Claro, então não andam as autoridades por aqui a bombardear-nos com a canção do turismo? Se a abolição de vistos é normalmente recíproca, o que temos de saldo é muito pouco para fazer crescer a vinda de estrangeiros sem burocracias, mas que deixem cá ficar o seu dinheiro. Entretanto, será que eles querem esta reciprocidade connosco? Bastam as nossas palavras e vontade, sem uma prática em que os outros acreditem? Não é curioso que os destinos mais populares para os angolanos: Brasil e Portugal continuem alcançáveis apenas depois da prova (quantas vezes humilhante) do visto? Para eles é igual, diga-se. É caso para dizer: mostra-me o teu passaporte e já te digo que importância tens no mundo.

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