Começa hoje o FestiKongo e munícipes do Soyo desconhecem o festival

Começa hoje o FestiKongo e munícipes do Soyo desconhecem o festival

No âmbito da realização da primeira edição do Festival Internacional da Cultura e Artes (FestiKongo), a decorrer de hoje a 8 deste mês, na cidade de Mbanza Kongo e no Soyo, província do Zaire, alguns munícipes do Soyo entrevistados pelo OPAÍS afi rmam desconhecer a passagem da festanesta localidade. Alexandre Bendita, jovem de 35 anos, conta que não tem conhecimento de que o FestiKongo também decorrerá no seu município do Soyo, o jovem alega haver fraca divulgação, uma vez que na cidade “não se nota nada”. “Pelo menos na nossa Rádio Soyo deviam falar sempre sobre esta festa aqui e talvez o povo nato deste município teria conhecimento e participaríamos também neste festival que é nosso.

Segundo o jovem, talvez as autoridades máximas saibam o que vai acontecer e “essa festa não é para qualquer um, por isso não divulgaram como devia ser. “Sei que vai acontecer apenas em Mbanza Kongo, quanto ao meu município não ouvi nada”, afirmou. Já Alfredo Mayembe explicou que momentos como este, de festividades, o povo devia participar mais e mostrar as potencialidades, uma vez que o município é rico em varias áreas. “A festa pode ser em Mbanza Kongo, mas todos nós devíamos participar mostrando o que temos de melhor, que é a nossa cultura. Estou tristes por saber apenas agora.  Acho que o nosso Governo ficou um pouco distraído quanto à organização e divulgação do nosso município”, disse.

Falta de alojamento faz com que a festa aconteça em dois municípios

Segundo uma fonte próxima da organização, o festival está a ser preparado pelo Ministério da Cultura e só acontecerá nas duas cidades devido à falta de alojamento na capital Mbanza Kongo. Por essa razão, alguns convidados fi carão hospedados no Soyo. “Mbanza Congo tem problemas de hotéis. Tem menos de 300 quartos e é muito pouco para receber essa gente toda que se deslocou para o festival. E a cidade com mais hotéis na província do Zaire é o Soyo.

Desta forma, o governador pensou em dividir a festa”, explicou. Por essa razão, vão juntar a tória do Reino do Kongo e a história da descoberta de Angola pelo Ocidente com a chegada de Diogo Cão. A fonte, que não quis ser identificada, explicou que as autoridades máximas, assim como as igrejas, sobas, regedores, segurança e ordem pública, já foram convidadas a participar no festival. “Infelizmente, acho que a festa não foi bem organizada.

Assim como fazem os Governo do Cuanza- Sul e Benguela, quando há festa, contratam uma empresa organizadora de eventos para fazer tudo e montar o espectáculo, mas não foi o que aconteceu aqui”, desabafou. O Soyo, que no período da guerra foi capital de forma “interina” do Zaire, hoje é considerado capital económica e Mbanza Kongo a capital administrativa. Segundo o nosso interlocutor, se nesta primeira edição as coisas falharem, as outras a seguir serão um fracasso, porque, dentre as exigências da UNESCO, tem de se realizar três edições seguidas, e, depois, as outras festas ficam ao critério do Governo da província, que também definirá a periodicidade, se vai variar de um, dois ou três anos.

De acordo com o programa geral do festival a que OPAÍS teve acesso, para amanhã, no município do Soyo, no Hotel Nempanzu, está marcado um Workshop sobre o projecto a “Rota de Escravos. 400 Anos da Chegada dos Primeiros Escravos na América do Norte”. Depois, às 19 horas, no Campo de Futebol 11, haverá um espectáculo musical. OPAÍS tentou contactar a administradora municipal do Soyo, mas não obtivemos sucesso.