Mpla vai manter impulso reformador, prevê agência global de risco

A Fitch, uma das três maiores agências de avaliação de risco, está optimista quanto ao esforço reformista do governo e ao combate à corrupção e prevê que a economia volte a crescer lentamente, o que condiciona a atracção dos investidores

Esperamos que o MPLA, liderado pelo Presidente João Lourenço, mantenha o impulso reformador nos próximos anos”, assim a inicia a agência de rating Fitch a sua avaliação da economia angolana no seu último relatório sobre a África Austral, a que OPAÍS teve acesso.

A Fitch é um dos três maiores grupos mundiais de classificação de risco e dá notação à dívida soberana nacional. O ‘Africa Monitor’ diz que a vontade e a capacidade do Governo implementar políticas favoráveis aos negócios, desde que João Lourenço sucedeu a José Eduardo dos Santos, constituiu uma surpresa, observando que em 2018 se assistiu ao reforço da posição de João Lourenço dentro do MPLA, ao mesmo tempo que foram tomadas medidas para facilitar o investimento, tanto no sector petrolífero como no não petrolífero. E destaca o facto de a Assembleia Nacional ter aprovado recentemente o projecto de lei sobre as parcerias público-privadas (PPP).

“O MPLA propôs e votou o projecto de lei com a intenção de melhorar a eficiência do sector público e, ao mesmo tempo, atrair o sector privado para objectivos como o desenvolvimento de infra-estruturas e a promoção da diversificação da economia, objectivos pelos quais o governo tem lutado, apesar das restrições fiscais”, assinala o relatório.

O relatório salienta os afastamentos de figuras públicas de altos cargos, antecipa que o combate à corrupção irá continuar e salienta a remoção de Isabel de Santos da Sonangol, de José Filomeno dos Santos do Fundo Soberano de Angola, nomeando ainda os casos mais recentes, já em A Fitch destaca a aprovação do projecto de lei sobre parcerias público-privadas pela Assembleia Nacional 2019, de Higino Carneiro e de Manuel Rabelais. Para a Fitch, a dinâmica reformadora prosseguirá, podendo, contudo, despertar algum descontentamento popular, podendo, a privatização prevista de diversas empresas, suscitar críticas dentro da elite dominante. Apesar de mostrar o seu optimismo quanto ao combate à corrupção, a Fitch considera que os “problemas estruturais” que, no passado, favoreceram o nepotismo continuarão a constituir um travão na perspectiva dos investidores nos próximos anos.

Economia vulnerável

A actual vulnerabilidade da economia e a possibilidade de ela provocar tensões sociais, condicionam, segundo a agência, o índice da agência que avalia o risco político de curto prazo. “2018 marcou o terceiro ano consecutivo de recessão e esperamos que o crescimento real do PIB seja moderado, passando de menos 2% em 2018 para mais 1,6% em 2019”. O desemprego mantém-se elevado e a inflação, embora descendo, permanecerá, nas estimativas da Fitch, acima da meta de um dígito definida pelo Banco Nacional de Angola, tendo em conta a depreciação do Kwanza e os efeitos da introdução do IVA. A Fitch prevê que a inflação termine este ano em 16,6%, descendo para 14% em 2020 e para 13,3% em 2021.

A par do relançamento do crescimento económico, com o PIB (produto interno) a aumentar 2,2% no próximo ano e 2,4% em 2021, registar-se-á a recuperação do PIB per capita, ou seja a parte de riqueza anual que cabe a cada angolano, de 3.111 dólares este ano para 3.215 no próximo e 3.486 em 2021. Em 2017 terá sido de 4.468 dólares. O consumo privado medido em percentagem do produto interno irá praticamente manter- se este ano e no próximo, subindo em 2021. O relatório prevê que o Kwanza continue a perder valor face ao dólar, estimando um câmbio médio de Kz 335,67 por dólar este ano e de Kz 392,5 por dólar em 2021. O ‘Africa Monitor’ antecipa que as autoridades vão controlar o défice fiscal, que deverá manterse, descendo, contudo, para menos 3,8% do produto interno este ano, para menos 3,2% no próximo e para menos 2,9% em 2021. As reservas externas estabilizarão este ano e no próximo e descerão ligeiramente em 2021. A balança corrente com o exterior permanecerá confortavelmente excedentária.

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