OPSA esperava discussão aberta do PIIM antes da sua aprovação

Apesar de considerar o PIIM “aparentemente” bom, o coordenador do Observatório Político Social de Angola (OPSA) diz que esperava por um debate mais inclusivo, pelo facto de o referido Plano contar com verbas provenientes do Fundo Soberano. Fernando Pacheco, que falava num seminário sobre os desafios do processo de descentralização e desenvolvimento local na província de Benguela, acrescentou que o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios deveria ser complementado com outro plano ou programa económico, sem o qual, prognostica, não se atingirá o desenvolvimento económico e social pretendido, desiludindo os jovens.

Defendeu também uma maior participação dos cidadãos, particularmente jovens, na tomada de decisões do poder político, permitindo um maior equilíbrio. “Grande parte dos projectos e programas desenhados para permitir o desenvolvimento local não resultaram por falta de contrapesos na sua definição”, acrescentou o prelector, que apontou alguns exemplos da falta de participação da cidadania e de equilíbrios na tomada de decisões. “A construção de um complexo agrícola no Cubal, para a produção de fuba de milho (numa zona sem tradição de cultura de milho), com a aplicação de elevadas quantidades de dinheiro”, referiu.

O também engenheiro agrônomo acrescentou que a construção da fábrica de massa de tomate no Dombe Grande e a aplicação de USD 66 milhões para a produção de algodão no Cuanza-Sul, foram dos piores projectos agrícolas que já conheceu e que nunca renderam sequer um quilograma, no caso do algodão. Noutro campo de desenvolvimento, o cofundador da ADRA, considerou o Programa Integrado de Intervenção Municipal (PIIM) “aparentemente” bom, mas que deveria primeiro ser discutido de modo aberto, antes do seu anúncio ou aprovação, uma vez que está a envolver recursos do Fundo Soberano do país.

leave a reply