Gado na região Sul vendido a preço de saldo

Compradores oportunistas estão a delapidar o maior activo das populações nativas da região Sul de Angola. É que, em consequência da severa seca que assola a região, os criadores de gado estão a ser aliciados a vender os animais ao preço de “bagatela”

André Mussamo

A denúncia é das autoridades do sector agrário do país que consideram tais compradores “pessoas de máfé” que, ao invés de ajudar a minimizar o sofrimento dos seus concidadãos, estão a aproveitar-se da situação de fragilidade e usurpar um dos seus maiores activos económicos. Os compradores oportunistas chegam a adquirir cada cabeça bovina entre 20 a 60 mil Kwanzas, valores que ficam aquém do real preço de mercado, se negociado em circunstâncias melhores do que as actuais.

Da província do Cunene chegam denúncias de que compradores eivados de máfé, que chegam a colocar os criadores na situação trivial de “ou aceitas o que oferecemos, ou em breve perdes o animal em consequência da falta de pasto e água”. O ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, denunciou via comunicação social a gravidade desta “negociação desonesta”, numa altura em que esforços estão em curso no sentido de salvaguardar a integridade das famílias afectadas e das suas respectivas manadas de gado.

O Cunene enfrenta, há oito mecularesses, a mais severa estiagem da sua história, que já deixou mais de oitocenta mil famílias e mais de um milhão de bovinos à beira da morte. São, no total, 857 mil 443 pessoas a viver os efeitos da estiagem e um milhão e 100 bovinos em risco de morte, por fome ou por sede. A falta de chuva prejudica a agricultura de subsistência. Desde Outubro de 2018, as sementes não germinam e a colheita está comprometida. Namibe e Huíla são outras duas regiões abaladas pelo fenómeno da estiagem, com consequências dramáticas para as populações cuja principal actividade é a agricultura e pastorícia.

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