Gestão esquisita

Em Catabola, na província do Bié, há uma escola de formação profi ssional, criada na época colonial, que tem tudo para estar lá situada. Trata-se de uma zona agrícola e a escola forma jovens exactamente nesta área. Não é o que o país precisa? Sim, claro que sim, concordamos todos, julgo eu. Entretanto, com a loucura da nossa guerra civil, a escola deixou de funcionar. Justificado. Acho que aqui também concordamos todos. Mas agora fica-se a saber que ela poderá voltar a fechar se não tiver os devidos apoios, do Estado, que, supostamente, seria o maior interessado no funcionamento deste tipo de infra- estruturas. Bem, a escola ainda lá está, moribunda. E sabe-se porquê? Porque os técnicos checos que a geriam foram-se embora, em 2011.

Exactamente, neste país as coisas só funcionam com mão vinda de fora. Quando deixadas aos angolanos, é só deslizar até cair por completo. É vergonhoso, mas é verdade. Está difícil encontrar infra-estrutura que tenha sido deixada, ou entregue ao Estado por estrangeiros, mesmo que pagos pelo nosso Estado, e que depois tenha funcionado em pleno e crescido. Porque quando a gestão é angolana o dinheiro desaparece, ou porque não volta a chegar, ou porque, infelizmente, quando chega, acha-se-lhe um destino mais “adequado”. E depois temos o espectáculo das reinaugurações com mais e mais dinheiro investido. Se calhar é para ser assim mesmo e eu é que estou enganado

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