Intercâmbio Cultural e partilha de conhecimentos assinalam I edição do “FestiKongo”

Representantes dos territórios que pertenciam ao antigo Reino do Kongo, designadamente a República Democrática do Congo, gabão e Congo-Brazzaville, estão desde ontem reunidos na capital do “Reino” (Mbanza Kongo), no quadro da I edição do Festival Internacional da Cultura Kongo

Representantes dos territórios que pertenciam ao antigo Reino do Kongo, designadamente a República Democrática do Congo, gabão e Congo-Brazzaville, estão desde ontem reunidos na capital do “Reino” (Mbanza Kongo), no quadro da I edição do Festival Internacional da Cultura Kongo

Jorge Fernandes, enviado a  Mbanza Kongo 

Coube ao vice-presidente da República de Angola, Bornito de Sousa, dar o “tiro de largada” da festa, que decorrerá até ao dia 8 de Julho, data que assinala o segundo aniversário da entrada de Mbanza Kongo na Lista de Património Mundial, concomitantemente institucionalizado como dia da cidade.

Neste sentido, Bornito de Sousa acredita que o FestiKongo tem um lugar garantido na agenda cultural e regional, cumprindo o seu papel de plataforma de intercâmbio, partilha de conhecimentos e de promoção da diversidade cultural Kongo. Para tal, é preciso manter a força e a determinação demonstradas desde o início, para que no futuro o FestiKongo esteja entre os principais festivais culturais do continente, como são os casos do Festival Internacional de

Artes de Harare (Zimbabwe), o Gnaoua (Reino de Marrocos), e o Amani na República do Congo. “Os eventos acabados de citar revelam-se importantes pólos de transformação de desenvolvimento económico e social local, através do turismo, da investigação e pesquisa histórica e antropológica, da promoção do talento artístico e da criatividade dos agentes culturais”, apontou o também coordenador da Comissão Multisectorial para a Salvaguarda do Património Mundial.

Nesta condição, a comissão reuniu- se e, entre outros aspectos, analisou as acções concretas para a passagem da teoria à prática, em relação aos processos dos bens já inscritos na lista indicativa da UNESCO, designadamente Cuito Cuanavale, as Pinturas Rupestres de Tchitundu Hulo e o Corredor do Cuanza.

Entretanto, lembrou que a importância histórica e o valor simbólico de Mbanza Kongo como lugar de memória levou a que a UNESCO aprovasse a sua inscrição na Lista do Património Mundial, colocando sob os “holofotes”, os vestígios históricos do património cultural desta urbe angolana. Igualmente, o governante fez menção ao facto de o primeiro traçado do perfi l urbano de Mbanza Kongo remontar aos seculos XIIIXIV, como um casario erguido com materiais locais, mais tarde complementado com a construção em pedra, logo após de iniciados os primeiros contactos com os portugueses, em 1482.

Centro de Estudos em Mbanza Kongo

Por sua vez, a ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, ao tomar a palavra, anunciou a construção de um Centro de Estudos

O Património

A cidade de Mbanza Congo (Zaire) foi inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO a 8 de Julho de 2017, durante a 41ª Sessão do Comité deste órgão que decorreu na cidade de Cracóvia, Polónia. Dada a importância deste feito histórico, o 8 de Julho foi adoptado como o Dia da Província do Zaire.

Nesta data, o Comité do Património Mundial da UNESCO declarou por unanimidade Mbanza Kongo, vestígios da capital do antigo Reino do Kongo, como património mundial e a sua inscrição na lista consagra o valor universal excepcional de uma propriedade cultural ou natural, para que seja protegida em benefício da humanidade.

Embora sem precisar datas, a titular da pasta da Cultura, justificou que o anunciado Centro de Estudos será um importante veículo para contínuas investigações sobre este sítio histórico. “A continuação de estudos desta importante cidade histórica será uma tarefa permanente que nos levará, a breve trecho, à criação de um Centro de Estudos associados aos trabalhos de preservação evalorização de Mbanza Kongo”, anunciou Piedade de Jesus.

A ministra defendeu que não basta proteger e preservar os atributos do valor universal de Mbanza Kongo, mas cumpre igualmente a missão de dinamizar aquele sítio para que contribua para o desenvolvimento sustentável local, trazendo benefícios para as populações, através da promoção de mais estudos e o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas, e do turismo cultural e natural.

Outras actividades

No quadro da feira, o vice-presidente Bornito de Sousa, acompanhado pela delegação que o acompanhou e demais individualidades nacionais e estrangeiras, visitou vários locais históricos, com destaque para a igreja do Kulumbimbi e o Museu dos Reis do Reino do Kongo. A programação do primeiro dia do festival reservou espaço para a execução de uma oficina de artes, envolvendo jovens estudantes e curiosos nas disciplinas de música, desenho, teatro, dança e pintura.

Na vertente literária, os livros “Filho do Bom Amado do Kongo: Nsaku Ne Vunda”, de José Mena Abrantes, “Um oceano, dois mares, três continentes”, de autoria de Wilfied Nsondé, além da exibição do filme “Falso Perfil” de Dorivaldo Fernandes, culminando com um espesctáculo musical internacional, constaram na agenda inaugural da I edição do Festival Kongo.

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