Soba acusado de ser “corrompido” para desalojar idoso no Ramiros

Um ancião, de 74 anos de idade, afirmou que o desalojamento forçado está a ser protagonizado por um senhor Moisés Mato, que a todo o custo quer usurpar a parcela com a ajuda do soba do KM 30 do Ramiro

O soba Avelino, da zona do Quilómetro 30, bairro Ramiros, em Luanda, está a ser acusado de facilitar o desalojamento do ancião Inácio Kuvalela, de 74 anos de idade. Segundo o idoso, o desalojamento forçado está a ser influenciado pelo senhor Moisés Mato, que, a todo o custo, quer usurpar a sua parcela de terreno, com a ajuda do soba, que está a facilitar e a pressionar para que o ancião abandone o espaço, em troca de uma residência numa outra zona.

Em conversa com o OPAÍS, Inácio Kuvalela disse que Moisés Mato era seu vizinho, mas, depois de alguns anos, este decidiu vender o seu próprio espaço. Porém, não se sentindo satisfeito, agora está a tentar vender o terreno do idoso que fica junto ao mar, cuja dimensão não foi esclarecida.

Conforme explicou recentemente, Moisés terá escalado o terreno com cidadãos estrangeiros que supostamente terão pago o terreno e que agora estão a pressionar o idoso a abandonar o perímetro. Inácio Kuvalela fez saber que o facto de o terreno estar situado à beira mar está a chamar a atenção dos invasores dado o seu valor. Segundo o ancião, Moisés Mato já terá construído, inclusive, uma residência para o albergar e o obrigar a largar o terreno forçosamente.

No entanto, por se mostrar resistente, o antigo vizinho optou em “corromper” o soba, de modo a que este pressione o idoso a deixar o cobiçado espaço. “O meu terreno, como está junto ao mar, tem chamado a atenção dos invasores. Querem vender a outras pessoas que podem garantir muito dinheiro e beneficiarem com isso. Mas eu não vou aceitar isso. O meu espaço é antigo, consegui com muito sacrifício”. Apesar de todas as diligências, o mais velho recusa-se a abandonar o terreno onde diz viver há 15 anos.

Essa negação, frisou, tem-lhe custado muitas ameaças por parte do vizinho, que a todo o instante visita o terreno com pessoas estranhas. Temendo pela sua vida e pela perda da sua propriedade, Inácio Kuvalela pede o apoio e a protecção do Estado no sentido de punir e travar essa acção do soba e do vizinho.

“Ele (o vizinho) já vendeu o seu próprio espaço. Não sei por quê agora quer se meter comigo. Ele encontrou-me a viver aqui há muito anos. Nunca mostrei interesse em vender o meu terreno. Não quero essa confusão porque o terreno é meu há 15 anos. E se eu não quero vender, ninguém pode obrigar-me”, frisou o ancião.

Mais do que um terreno, uma vida De acordo ainda com Inácio Kuvalela, o terreno em causa, mais do que um espaço, representa uma vida, pelo facto de ao longo dos últimos anos ter feito ali a sua vida. Actualmente Viúvo, o ancião, para além de ter o local como moradia, tem aquele terreno como fonte de sobrevivência.

Pois, é lá onde planta pequenas culturas que lhe servem de alimentação. Para ele, perder o terreno vai representar um pesadelo, pelo que pede encarecidamente o apoio da Administração local e de outras estruturas do Estado. “A minha vida tem sido feita aqui e fica muito difícil abandonar o espaço. A chave da casa que me deram está, inclusive, com o próprio soba. Mas eu não quero lá ir. Pretendo continuar a viver aqui, na minha humilde terra”.

Houve acordo Por seu lado, contactado pelo OPAÍS, o soba Avelino disse que não é verdade a versão de Inácio Kuvalela e que só está envolvido no caso por ser chamado para testemunhar a transferência do idoso do terreno para a nova casa. Segundo o soba, recentemente, Moisés Mato o havia contactado como sendo o proprietário legítimo do terreno em que vive Inácio Kuvalela. Tal como explicou, durante a conversa, Moisés terá dito ao soba que precisa com urgência do referido espaço.

Para não deixar o idoso ao relento, achou por bem, como gesto de gratificação de todos esses anos de vivência, oferecer- lhe uma residência para continuar a seguir com a vida. Na sequência, soba Avelino explicou que reuniu as partes no sentido de chegarem a um acordo. Nesse encontro, frisou, o idoso terá aceitado a proposta de deixar o espaço em Agosto, sem pressão. “Houve acordo. A grande questão é que o senhor Moisés apresentou-se como dono do espaço e o Kuvalela era apenas alguém que o controlava ao longo desse tempo todo.

Durante a reunião houve acordo. Hoje, não sei por quê, ele diz isso quando na verdade já tinha aceitado. Em nenhum momento foi pressionado a abandonar o espaço”, atestou. O Soba Avelino fez saber ainda que só conhece a referida casa (construída pelo suposto dono do espaço) porque a mesma fica situada ao lado da residência do seu filho. “Eu só acompanhei o processo porque a casa que o Kuvalela vai receber fica ao lado da casa do meu filho. De outro modo, não tenho nada a ver com isso”. De maneira a ouvir a sua versão, o OPAIS tentou o contacto com Moisés Mato, por via telefone, mas este não atendeu às nossas chamadas.

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