A psicologia da Nação e a necessária moralidade da Administração Pública

POR: Benedito Quinta

A nação não deve ser vista como um simples agrupamento de pessoas dentro de um espaço de território, mais do que isso, ela representa uma espiritualidade colectiva movida por uma unidade social. Logo, é necessário uma estrutura capaz de se movimentar num sentido que possa conduzir ao crescimento, ao bem-estar e às realizações colectivas. A necessidade de um ideal comum é um elemento chave pelo qual todas as forças da nação são mobilizadas, e para o qual todas tudo farão para superar qualquer obstáculo ou dificuldade. O sentimento ou ideal comum promove a unidade social, a falta dos quais leva os movimentos sociais à processos desconexos e quiçá até frustrados. A curta passagem existencial do ser pressupõe uma vivência em que o mesmo se possa desenvolver, tanto no plano físico e psíquico, como no espiritual. Esse pressuposto só pode ser atingido num contexto de justiça social, fortalecida no bem-estar, na criatividade e na produtividade do indivíduo. A memória colectiva e a memória histórica pressupõem a consciência colectiva em acto, em suas correntes directas e vividas. Aos historiadores e sociólogos, deixamos a responsabilidade de análise e avaliação do percurso do heroico e generoso povo angolano, sobretudo no que se tornou após a independência, aos 11 de Novembro de 1975. Com os traumas de uma independência arrancada a ferro e fogo, sob o troar de canhões, no amargo sabor do nascimento de um conflito fratricida que perduraria vinte e sete longos anos em paralelo a dezasseis anos de um regime autoritário monopartidário e vinte e sete anos de um neoliberalismo selvagem. Para Carl Gustav Jung, “a nação faz exatamente o que cada um faz individualmente, o modo como o indivíduo age, a nação também agirá”. Deste modo, se o topo não fornecer os elementos básicos fundamentais para manter as funções mínimas do sistema, os demais níveis abaixo deixam de cumprir e seguir os processos funcionais com normalidade. O dilema do momento reside na fiabilidade e segurança dos servidores públicos com responsabilidades de gestão da res publica. Assim é que, durante anos, acumular primitivamente capitais pela via ilícita, à custa do desvio dos recursos públicos, se tenha tornado num modo de vida e num fim em si a ser alcançado por qualquer cidadão nomeado para qualquer cargo de responsabilidade, cujo dano ao Estado era directamente proporcional ao nível desse cargo. Portanto, se o topo deixou de ser o elemento de referência às boas práticas do sistema de administração pública, toda a cadeia abaixo se descaracterizou, consequentemente os resultados da cadeia produtiva não podem, nem poderiam ser os melhores. Daí que a nação passou a agir em conformidade com a acção individual dos seus cidadãos. Não é preciso ser um cidadão iluminado para concluir os prejuízos de dimensões sociais cataclísmicas a que as populações foram submetidas. Estão a vista de todos, mais do que isso, são sentidos pela grande maioria dos angolanos, desde as populações mais rurais e menos instruídas, até aos grupos sociais que deveriam constituir a classe média do País, os académicos, professores, médicos, engenheiros, comerciantes e técnicos qualificados, entre outros. O  desafio do momento, que apresenta o combate a corrupção como a sua principal divisa, passa necessariamente pela promessa apresentada pelo Titular do Poder Executivo no decurso da campanha eleitoral, onde perspectivava “o homem certo para o lugar certo”. Quem são as mulheres e os homens certos para assumirem a máquina administrativa do Estado, é um exercício que deve ser levado a cabo pelo Senhor Presidente da República, que deve para o efeito ter em consideração o princípio segundo o qual todo o cidadão tem o direito de acesso, em condições de igualdade e liberdade, aos cargos públicos, nos termos da Constituição e da lei. Portanto, o respeito à Constituição e a lei são a bússola orientadora, que deve ter como fio-de-prumo, a probidade administrativa e a moralidade, para o exercício da responsabilidade para a qual o cidadão é chamado, e constituem pedra angular para um projecto de nação com uma perspectiva de satisfação da grande maioria, ou mesmo, porque não, de todos os membros desta Angola. Elevar a grandeza das potencialidades do país, é algo que todos pretendemos ou devíamos pretender. Penso ser desejo de todos os angolanos de bem, aspirar por um governo capaz de criar uma plataforma de gestão do Estado equilibrada, credível, que forneça aos seus cidadãos inputs de segurança e estabilidade, para a materialização do princípio constitucional, baseado na dignidade da pessoa humana e na vontade do povo angolano, para construir uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social. Tenho dito.

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