Barragem de Laúca agora com capacidade de atender electricidade do sistema interligado Norte-Sul do país

Barragem de Laúca agora com capacidade de atender electricidade do sistema interligado Norte-Sul do país

POR: Miguel José, em Malanje

Doravante, a capacidade instalada está fixada em 1670 megawatts, devendo totalizar 2070 quando entrar em funcionamento a última turbina, incluindo a Central Ecológica, até ao final do primeiro semestre de 2020, de acordo a nota do Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK). Segundo menciona a nota, esta capacidade de produção, com a contribuição das restantes centrais hidro-eléctricas no Médio Cuanza (Kambambe e Kapanda), dos aproveitamentos Hidro- eléctricos das Mabubas e do Lomaum, da Central do Ciclo Combinado do Soyo e de algumas poucas centrais térmicas, atende actualmente um conjunto de 10 províncias: Malanje, Uíge, Zaire, Bengo, Luanda, Cuanza- Norte, Cuanza-Sul, Huambo, Bié e Benguela, interligadas na Rede Nacional de Transporte. Hoje, Laúka actua com destaque na estabilidade do Sistema Elétrico Nacional. Com o aumento da capacidade de produção de energia limpa e barata, como é o caso das hidro-eléctricas, facilitará cada vez mais a extensão do Sistema Eléctrico para Sul, agora na perspectiva de integração da Huíla e Namibe, beneficiará milhares de novos consumidores, potenciará o crescimento económico nacional e reduzirá os custos de produção energética.

Consumidores descontentes

Em face do novo regime tarifário de energia eléctrica, que foi anunciado e começará a ser praticado a partir do dia 15 Julho do ano em curso, sobretudo, embora para os clientes de baixo consumo se mantenha na mesma ordem, preocupa os consumidores de Malanje, porquanto, prevêem que o aumento, a páginas tantas, irá reflectir-se no bolso dos cidadãos. Apontam que o sistema de pagamento pós-pago, que ainda vigora em grande parte dos contratos, com base em cálculos de consumo que a Empresa de Distribuição de Eletricidade (ENDE) se dispõe em fazer por falta de cobertura do sistema pré-pago para todos os seus fregueses, as oscilações e cortes constantes que ocorrem de forma inesperada, sem prévio aviso, são argumentos de razão do descontentamento dos consumidores. Para o caso, o funcionário público André Francisco diz sentir- se lesado, porque a remuneração não faz jus à subida do preço do consumo de electricidade; pelo que invoca o Estado angolano a ponderar o impacto da pretendida medida, na vida de grande parte das famílias.

“Estamos a viver tempos de crise e subindo as coisas, a vida fica ainda mais complicada para as famílias”, lamenta. Enquanto isso, o economista Carlos Cardoso entende que antes de subir a taxa de energia é preciso melhorar a qualidade do serviço prestado. Considera que a precariedade dos serviços da ENDE contrasta com a anunciada pretensão de subida do preço de energia eléctrica, pois que, além do sistema pré-pago se resumir em uma minoria de clientes fixados no centro urbano, a qualidade dos serviços prestados está aquém do desejável. Também contesta o facto de a taxa de pagamento de consumo ser baseada em cálculos estimativos, muitas vezes feito por excesso, sempre em prejuízo do consumidor que constitui a grande maioria de clientes da ENDE e que reside na periferia. “Entre o que se consome e o que o cliente paga é injusto”, critica.

O facto de o reajuste na ordem dos 97 por cento, afectar directamente outras categorias, o novo tarifário, aprovado com base no Decreto Executivo do Ministério das Finanças, publicado em Diário da República de 24 de Maio, olhando para a actual situação de pobreza que grande parte das famílias vive, o economista antevê que, de qualquer forma, o novo tarifário irá reflectir-se na vida das populações dentro da própria cadeia que se desenvolve, tanto na geração de produtos, quanto na prestação de serviços que chegam ao consumidor final. Entretanto, em razão do salário mínimo nacional ser irreal e incapaz de corresponder ao mercado de consumo, porém, Carlos Cardoso é de opinião que antes de se tornar efectiva, a aludida pretensão, as autoridades afins deviam proceder um estudo de “discriminação positiva” com base na estratificação social dos clientes, conforme a área de residência que pertencem, para que o pagamento seja feito de maneira justa. “O cliente da periferia não pode pagar a mesma quantia que o do centro da cidade”, desaprova.