Criadores de gado do Cunene e da Namíbia alimentam-se na Matala

São longas as distâncias percorridas pelos criadores de gado da província do Cunene das regiões do Norte da República da Namíbia em busca de pasto e água para o abeberamento das suas manadas

POR: João Katombela, na Huíla

A comuna do Mulondo, município da Matala, província da Huíla, transformou- se num oásis para mais de 40 mil cabeças de gado bovino e seus criadores que escaparam da seca que assola o Sul do país e parte da Namíbia. Nesta comuna ainda existem algumas condições para apascentar os rebanhos que percorrem enormes distâncias, resistindo à falta de alimentos e do precioso liquido nas suas zonas de origem. A presença de criadores “estrangeiros” na comuna do Mulondo, está a afligir os criadores locais, por temerem que o pasto para as suas manadas possa escassear, uma vez que os visitantes são uma quantidade elevada. “Temos medo que o capim acabe porque os nossos irmãos que vêm do Cunene e da Namíbia trazem muito gado. Embora aqui não falte água”, frisou o soba da comuna do Mulondo, Mufingua Mupinga.

O líder tradicional revelou que existem na sua área de jurisdição 265 cabeças de gado provenientes da República da Namíbia, entre as 40 mil provenientes de outras zonas fustigadas pela estiagem. “Controlamos aqui dois currais da Namíbia, constituídos por 190 e 175 cabeças de gado bovino, que estão instalados nas localidades de Matuto e Kaimoni”, respectivamente, revelou. Mufingua Mupinga declarou que os namibianos recorrem aos seus parentes que vivem nas zonas fronteiriças de Angola com a Namíbia para fazer entrar os seus rebanhos no território nacional. “Eles usam os seus familiares que vivem próximo com o Cunene para trazer o gado, mais tarde partem de lá para aqui, no Mulondo”, explicou. Apesar da “invasão”, o líder tradicional garante não existirem conflitos, uma vez que a sua comunidade está sensibilizada das as vicissitudes que enfrentam as populações do Sul do país afectadas pela seca.

Cerca de 4 mil cabeças de gado bovino mortas por doença

Embora não haja problemas com o pasto e água, os moradores e criadores de gado da comuna do Mulondo estão preocupados com a morte do gado bovino que constitui a sua maior riqueza, em termos culturais. Até ao momento, estima-se que cerca de 4 mil cabeças de gado bovino morreram na comuna do Mulondo. De acordo com as autoridades tradicionais, as principais vítimas integram os rebanhos provenientes de outras paragens. “O índice de animais doentes é elevado, todavia, os que mais estão a morrer nesta altura são os provenientes do Cunene e da Namíbia. Eles chegam aqui debilitados e isso está a afectar também os nossos rebanhos. Daí a nossa preocupação”, assegurou. Entre as doenças que mais preocupam os criadores tradicionais de gado nesta comuna destacam-se o carbúnculo hemático e sintomático, a sarna bovina e a dermatite nodular.

Direcção da Agricultura garante ter o controlo da situação

Em função das lamentações dos criadores tradicionais de gado na localidade do Mulondo, relactivamente à morte massiva de animais, a directora do gabinete provincial de Agricultura na Huíla, Mariana Soma, garante que já foram traçadas algumas políticas para mitigá-las. De acordo com a gestora pública, estas políticas passam pela aquisição de doses de vacinas e a concentração de técnicos capacitados para administrá- las às manadas. Mariana Soma garante que, até ao momento, já se encontram 75 mil doses de vacinas contra as várias doenças que afectam o gado bovino no Mulondo. São no total 25 mil doses de vacinas PPCB, 25 mil doses de carbúnculo hemático e sintomático e 25 mil doses de dermatite nodular. “Na verdade, o que houve é alguma suspeita de carbúnculo sintomático. Fez-se estudos e os governos provinciais da Huíla e do Cunene mobilizaram essas vacinas. A gestora pública garantiu que dois governos estão sincronizados para responder a qualquer ruptura que se possa verificar depois da campanha de vacinação.

error: Content is protected !!