Research Atlantico: As contas externas de Angola no Iº trimestre de 2019

Os resultados da execução do programa de estabilização macroeconómica e de estímulos à recuperação da economia do ciclo negativo, apurado nos últimos três anos, continuam a refl ectir-se nas contas internas e externas do país, sendo que a necessidade de alteração do padrão do comércio externo apresenta-se necessária para a atenuação dos desequilíbrios apurados.

Não obstante, no período em referência, a taxa de inflação continuou a seguir tendências decrescente, enquanto os custos de obtenção de crédito continuam a ser moderados. Paralelamente, as necessidades de financiamento do Estado continuam a dar indicações de redução enquanto a capacidade de mobilização de poupanças externas mantém-se desafiantes, com a produção petrolífera a manter-se abaixo do planificado. Com efeito, a redução da produção petrolífera, durante o período em análise, reflectiu-se nos níveis de exportação do país que diminuíram cerca de 10% em termos homólogos.

Destaca-se que as exportações do sector petrolífero representaram 95% das exportações totais, tendo registado uma redução homóloga de 11%, ao fixarem-se em 8.300,4 milhões USD. Paralelamente, as exportações dos produtos do sector não petrolífero cresceram 46% situando-se em 427,8 milhões USD, o maior nível desde o IIº trimestre de 2014, porém representaram apenas 5% do montante encaixado. Por seu turno, as importações registaram um incremento homólogo de 44%, ao fixarem-se em 4.706,4 milhões USD. O desempenho reflecte o aumento das importações de “Aeronaves e Embarcações” em 1.535,1 milhões USD, para 1.548,2 milhões USD. O mesmo desempenho foi apurado no IIº trimestre de 2018, alterando o padrão das importações do país, dando maior ênfase às importações de bens de capital em detrimento dos bens de consumo, facto que poderá sugerir, por um lado, a alteração na estrutura produtiva interna ou, por outro lado, a redução da capacidade de importação de bens alimentares, com efeitos sobre a oferta de bens internos no país e dos preços dos produtos importados.

Assim sendo, o saldo da conta de bens reduziu 37% em termos homólogos, facto que penalizou a conta corrente, por ser determinante para a sua evolução. Durante o período em análise, a conta de serviços manteve-se deficitária, reflexo do nível considerado de contratação de serviços de transporte (+34%), serviços de informação e informática (+113%) e Comunicação (+11%). Por outro lado, o país repatriou lucros e juros no montante de 7.795,6 milhões USD, com o primeiro a aumentar 3,7% e o segundo em 9,3%, com o destaque para os juros referente ao sector petrolífero que mantiveram-se inalterados. Importa ressaltar, que a China, Índia e a Espanha apresentaram-se como os principais parceiros comerciais de Angola, no que se refere as exportações, com os destinos das exportações a atingirem uma quota de 67,7%, 8,6% e 4,7%, respectivamente. Por outro lado, a França, China e Portugal representaram os principais fornecedores do país, com um grau de cobertura das importações nacionais de 35,7%, 12,6% e 9,8%, respectivamente.

Paralelamente, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) atraído pelo país situou-se em 4.293,1 milhões USD. Por outro lado, o montante de IDE realizado fora do país fixou-se em 2.723,3 milhões USD. Destaca-se que durante o período em análise registou-se um incremento substancial, cerca de 150%, do montante de IDE investido no país no sector não petrolífero, que se situou em 135,1 milhões USD. Relativamente, ao sector petrolífero o IDE no país fixou-se em 1.763,5 milhões USD, um incremento de 10,5%. Por outro lado, o stock da dívida externa incluindo os atrasados fixou-se em cerca de 47 mil milhões USD um aumento homólogo de 11%, com a dívida comercial a representar aproximadamente 79%. Por conseguinte, as Reservas Internacionais Brutas (RIB) fixaram- se em 15 mil milhões USD, uma redução de 11% face ao período homólogo, enquanto as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) mantiveram-se com capacidade para cobertura de 4,5 meses de importação contra os 7 meses do mesmo período de 2018.

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