A tropa e os negócios

Vinte ex-militares do município da Caála, província do Huambo, estão a aprender, desde Segunda-feira, técnicas de gestão de pequenos negócios, numa acção promovida pelo Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego e o Instituto de Reintegração sócioprofissional dos ex-militares. A ideia é muito boa. Os militares, se bem formados, aprenderam o básico de estratégia. Se bem formados, sabem o que é esperar e sabem o que é sacrifício por um objectivo. Têm esta vantagem em relação aos civis. Não é por acaso que a “Bíblia” dos gestores de todo o mundo é um velho livro sobre a Arte da Guerra. Não é por acaso que em Angola e na maior parte dos países do mundo em situações pós-conflito são os (ex)militares que mais se destacam nos negócios. Porque podem ser implacáveis com a concorrência, porque aprendem a fazer leituras e porque aprendem a conhecer o país e o espírito humano. Sabem estudar o adversário. Quando se acusa generais angolanos por terem ficado ricos, há dois aspectos que deveriam ser tomados em conta, já que, alguns deles , realmente, como aconteceu noutras partes do mundo, repito, e os exemplos são muitos, olharam para o tabuleiro dos negócios como o prolongamento do mapa das estratégias de guerra, além do instinto da auto-preservação, porque o militar sabe da importância da logística na sua vida. Mais ainda num caso como o nosso, em que boa parte deles entrou num exército politizado, partidarizado. A sua lógica, sectária, é diferente da dos civis. Além das acusações, por outro lado, seria bom começar-se a estudar a ascensão de ex-militares nos negócios em Angola, na América e na Europa pós-guerra, na Namíbia, na África do Sul. Talvez destes estudos saiam mais coisas construtivas e para aprender do que a mera acusação de assalto ao erário.

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