No Martins“Priorizo a qualidade do trabalho e da pesquisa, e assim venho conquistando cada vez mais espaço”

Artista brasileiro, vindo de São Paulo, acaba de apresentar em Luanda o resultado de uma pesquisa realizada no Aquivo Nacional de Angola e no Museu Nacional da Escravatura, no âmbito de uma Residência Artística de sete semanas. Nesta curta entrevista, o artista fala do trabalho e da interacção no domínio artístico

No Martins iniciou uma Residência Artística de sete semanas pelo Angola AIR e o ELA – Espaço Luanda Arte.

O que apresentou e qual foi o resultado deste duplo trabalho?

A residência resultou em 10 pinturas e uma performance realizada no Museu Nacional da Escravatura. O tema da pesquisa referese à Rota da Escravidão do Porto de Luanda até ao Brasil.

Quantas obras compõem esta residência e o que retratam?

O período de residência resultou em 12 obras. As obras não possuem um único título, as pinturas fazem parte da série “Pretos Novos” e a performance intitula-se “Aos Que Se Foram, Aos Que Aqui Estão e Aos Que Virão”.

Quanto tempo levou a preparação destas obras e quais foram as técnicas usadas na sua execução?

As obras e pesquisa foram realizadas durante todo o período da residência. A pesquisa foi feita na rua, através das oralidades, no Aquivo Nacional de Angola e no Museu Nacional da Escravatura.

É a primeira vez que No Martins exibe as suas obras nestes dois espaços em Luanda?

Sim, é a primeira vez.

Qual é a perceção que tem desta cidade e da sua gente?

Gostei muito da cidade, fez lembrar muito a cidade onde vivo, São Paulo, principalmente a parte periférica.

As pessoas recebera-me com muito carinho, não poderia ter sido melhor. Como vai a sua interação com os artistas angolanos?

Os artistas também acolhera-me muito bem, e além dos artistas plásticos, também conheci kuduristas, repers, filme makers…

Como vai a sua agenda artística por Luanda?

A minha permanência em Luanda vai até esta Quarta-feira, 10 de Julho. Ontem 9, apresentei a minha pesquisa em dois locais: na Galeria ELA e no Centro Cultural Brasil – Angola.

Qual é a previsão de uma sua nova exposição nesta cidade?

Ainda não há nenhuma previsão, mas já estamos a pensar numa possibilidade.

E no Brasil?

No Brasil tenho 3 exposições individuais em São Paulo e Rio de Janeiro, e uma outra colectiva Bienal Sesc Video Brasil.

Considera-se um artista realizado?

Cada trabalho é uma realização nova, a minha carreira está a ser construída sem pressa, pois priorizo a qualidade do trabalho e da pesquisa, mas cada vez venho conquistando mais espaço.

Pelo tempo de carreira que tem, consegue viver somente das artes plásticas?

Sim, há um tempo venho vivendo apenas do meu trabalho.

Depois desta interacção artistíca, qual é a percepção que tem sobre as artes plásticas em Angola?

Vejo aqui que os artista de Angola têm muito potencial, admiro o trabalho de artistas como Edilson Chagas e o Mestre Kapela.

Vejo também que os novos artistas também trabalham questões muito importantes a serem discutidas. Já teve contactos com alguns coleccionadores de arte angolanos?

Tive contato com curadores, mas colecionadores ainda não.

E galeristas?

Além da Galeria Ela, tive contato com a Jahmeck e galeria Tamar Golan.

Quando é que começou a interessar- se, de facto, pelas artes plásticas e qual foi a sua primeira criação artística?

Meus primeiros contatos com as artes visuais foram nas ruas de São Paulo, através da Pichação e do Graffiti em 2003 aos 16 anos.

error: Content is protected !!