Companhia moçambicana leva questões da “discriminação sexual” ao FESTECA

A companhia teatral moçambicana Centro de Recriação Artística (CRA) de Maputo apresentou na Terça-feira, 09, no Centro de Animação Artístico do Cazenga (Anim’Art) a peça contemporânea “Ihaya” (Vergonha), na XIV edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA)

O monólogo com duração de 30 minutos, apresentado pela actriz moçambicana Gigliola Zacara, retrata o quotidiano de uma rapariga (lésbica), que desconhece as transformações que ocorrem em si, mas que de alguma forma começa a emitir sinais aos olhos da sociedade, considerados repugnantes. Em consequência disso, a jovem passa por inúmeras situações difíceis, como a discriminação, opressão e estigmatização no seio da sociedade. Com a referida peça, a acseu suplemento diário de lazer e cultura cartaz triz objectivou remeter as pessoas a reflectirem sobre as escolhas que fazem, as responsabilidades, os riscos e, acima de tudo, consciencializar os indivíduos em relação ao respeito que devem ter pelas escolhas do ser humano.

“Ela ainda não se tinha apercebido desses sinais, porque estava em busca do seu ser mulher, das transformações e o que lhe acontecia psicologicamente”, disse a actriz, tendo acrescentado que em conversa com indivíduos da comunidade com quem tem trabalhado, soube que muitas delas não se descobriram, mas que foram descobertas pelas outras pessoas. “Esse é um problema que não acontece somente em Moçambique, mas em qualquer parte do mundo. Por isso, devemos respeitar as diferenças. Essas pessoas não escolheram ser o que são, mas sim têm de aceitar a sua natureza”, aconselhou.

Gigliola Zacara referenciou que o monólogo foi desenvolvido no âmbito de uma parceria com a organização “Lámbida”, que defende os direitos da referida comunidade Legbite, composta por lésbicas, gays, transexuais e bissexuais, entre outros. A actriz disse ainda que “Quando um gay se assume publicamente, dizemos que saiu do armário. Então, existem pessoas que estão trancadas noutros armários, não só o da sexualidade, só vivem dentro de uma norma social em que não gostam de estar. É necessário que as pessoas se libertem, sem temer represálias”, observou.

Outras exibições

O grupo Monte Sinai estreiou-se no FESTECA com a peça “A roulotte de Luísa”. Trata-se de uma sátira, onde cinco personagens que representam cinco camadas sociais, criam furor no país. Uma dessas camadas é a juventude, que é representada pelo músico Da Beleza, as jovens mulheres, patenteadas pela personagem “Que Brilha”, que aparenta ser prostituta. O director artístico da companhia, Manucho Songi, referiu que a peça aborda questões sociais consideradas polémicas, como o comportamento das jovens mulheres. A mesma abrange ainda a figura máxima do país, o Presidente. “Como artista estou atento a tudo que é fenómeno. Por isso, tive de me sentar e escrever, de uma maneira que não ferisse sensibilidades”, disse.

O também encenador referiu que a presente peça foi apresentada na sétima edição do Festival de Teatro “Olombangui”, realizado no mês transacto na cidade do Cuíto, tendo conquistado o Prémio de Melhor Actor e Actor Revelação. Por sua vez, a companhia Tua Bixila apresentou no palco do Anim’Art a peça “Linhas cruzadas”, apresentada por cinco actores, durante 50 minutos. É um enigma que aborda o relacionamento de uma família, onde o pai mantém uma relação com a ex-namorada do filho. Entretanto, o filho arranja uma outra namorada, as famosas “mangas de 10”, que por azar do destino, é também uma actual namorada do pai. De acordo com o responsável do grupo, Sílvio Gravata, com a presente peça, o grupo pretende chamar a atenção aos chefes de família a não pautarem pelo adultério, a fim de evitar situações que possam penalizar o seu lar e a sua vida.

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