Coveiros no Lobito há quatro meses sem salário

Oito coveiros do cemitério do Teni, bairro do Golfo, no município do Lobito, reclamam por quatro meses de salário em atraso e deploram as condições de trabalho

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Os coveiros revelaram a OPAÍS, ontem, que a falta de pagamento está a criar-lhes enormes constrangimentos, pelo que pedem à Administração Municipal que inverta o actual quadro, o qual caracterizam de deficiente. De acordo com os funcionários do “campo santo”, que optaram pelo anonimato com receio de sofrerem represálias, cada um deles aufere 30 mil kwanzas/mês. Além da falta de ordenado, as condições de trabalho a que estão sujeitos diariamente no pleno exercício das suas funções também os aflige.

No cemitério, continuam as nossas fontes, falta de tudo um pouco, desde água a instrumentos de trabalho, como picaretas, pás e enxadas. “Essas enxadas que o senhor está a ver aqui são nossas. Não temos luvas, capacete, nem botas”, disse um dos coveiros, na casa dos 50 anos de idade, aparentemente insatisfeito. Ressaltou que, por causa de tal atraso, a sua família está a viver momentos muito difíceis, com contas da escola dos filhos por pagar. “Como vê, estamos a trabalhar de chinelas”, reclama um outro coveiro à reportagem d´OPAÍS no local, para quem é “desumano” o cenário, a julgar pelo volume de trabalho diário.

Entretanto, contactado por esse jornal a propósito das reivindicações dos coveiros, que dizem terem sido esquecidos pela Administração da cidade ferroportuária do Lobito, o administrador local, Nelson da Conceição, alegou existirem apenas dois meses em atraso (Maio e Junho), contrariando, assim, a posição dos funcionários, embora reconhecesse a falta de condições no chamado campo santo. “Têm dois meses em atraso. Neste momento, estamos a trabalhar para poder resolver o problema de um mês e, paulatinamente, ir resolver o outro”, refere, prometendo liquidar o mês de Maio ainda a próxima semana. Segundo Nelson da Conceição, a sua administração desenhou um projecto que passa pela intervenção, visando a melhoria das condições de trabalho. “Condições em termos de material de trabalho é possível que haja. De qualquer forma, vou mandar averiguar para que as coisas estejam dentro do lugar”, prometeu.

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