Representante da ONU-SIDA desconhece as razões da inclusão de Angola entre os países que vetam entrada de seropositivos

Michel Kouakou disse sentir-se surpreendido e assegurou que já contactou a sede central da ONU-SIDA para aferir o que realmente se passou para que Angola esteja no conjunto de países que se recusam a dar visto de permanência aos estrangeiros seropositivos

O Representante da ONU-SIDA em Angola, Michel Kouakou, disse desconhecer as razões que levaram Angola a estar incluída numa lista de países que exigem o teste de VIH/SIDA para a obtenção de vistos de permanência para os estrangeiros que queiram escalar a região. A lista, divulgada no final do mês de Junho, coloca Angola numa lista de 48 países que “barram” a cedência de vistos de permanência para pessoas portadoras da doença. Michel Kouakou, afirmou não entender a colocação do território angolano neste processo porque, segundo a sua experiência, nunca passou por nenhum procedimento neste sentido para escalar o país que vem frequentando desde 1999. “Esse relatório, que foi publicado no dia 27 de Junho, surpreendeu- me”, frisou o responsável.

A lista, publicada pela ONUSIDA, tem vindo a causar um mal-estar e aponta que os países alistados, ao solicitarem exames para pessoas com VIH/ SIDA, estão, claramente, a discriminar os portadores da doença e não ajudam no combate à doença No entanto, surpreso com o nome de Angola no referido relatório, Michel Kouakou deu a conhecer que já contactou a sede central da ONU-SIDA para aferir o que realmente se passou para que o país esteja no conjunto de países que se recusam a dar visto de permanência aos estrangeiros seropositivos. “Surpreendi-me. Então mandei uma mensagem para a nossa sede. Embora sendo de um outro país, eu tenho ido a Angola desde 1999 e nunca fui solicitado a fazer teste de VIH antes de ter o visto de entrada. E quando vi o artigo perguntei aos meus colegas e amigos estrangeiros para saber se já teriam sido solicitados a fazer algum teste e ninguém confirmou.

É um pouco espantoso, mas vamos procurar esclarecer”, assegurou, tendo avançado que, desde a publicação do relatório, “ainda não tive a oportunidade de falar com as autoridades angolanas. Isso não é um problema diplomático. É um problema que vamos procurar esclarecer o mais rápido possível”. No entanto, segundo o relatório, dos 48 países e territórios que mantêm restrições, pelo menos 30 ainda impõem proibições à entrada ou permanência e residência com base no estado da doença e 19 países deportam os estrangeiros com base no seu estado serológico. Segundo o relatório, a maioria dos países que mantêm restrições de viagem estão no Oriente Médio e em África, mas muitos países da Ásia e do Pacífico, Europa Oriental e Ásia Central também impõem restrições.

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