“Revús” do Lobito em liberdade

Os jovens manifestantes detidos no dia 2, quando protestavam contra a falta de água na zona alta do Lobito, foram soltos depois do pagamento das custas judiciais e emolumentos no valor de 500 mil Kwanzas

Os sete jovens que foram acusados pelo Ministério Público de terem cometido os crimes de assuada, desobediência e injúria contra autoridade pública, julgados e condenados pelo Tribunal de Comarca do Lobito, foram postos em liberdade na tarde de Terça-feira, 09, mediante o pagamento de uma multa no valor de 500 mil Kwanzas. Os jovens, que tinham a libertação condicionada ao pagamento das custas judiciais e emolumentos, tinham sido detidos no dia 2 deste mês e condenados no dia 5. Eles protestavam contra a falta de água na zona alta do Lobito.

O Grupo Parlamentar da UNITA, por iniciativa de Adalberto Costa Júnior (seu líder) e do vice-presidente do partido, Raúl Danda, é apontado como tendo procedido ao pagamento das custas judiciais e multas, que culminaram com a libertação dos jovens do auto-denominado Movimento Revolucionário O activista cívico Júlio Lofa, em nome da Associação Juvenil para a Solidariedade, embora louvasse a iniciativa dos parlamentares, considera que o significado seria outro caso os fundos para libertá-los proviessem da contribuição da sociedade civil. “Mas eu queria dizer que temos de nos envolver nos processos e não esperar por um capitalista. Os manos foram detidos por manifestação em nome de um bem colectivo. Era melhor que conseguíssemos com os nossos valores’’, defendeu Lofa, em declarações à Voz da América.

O advogado de defesa, Chipilika Eduardo, aponta que o processo esteve eivado de “muitos erros”. “Estamos a falar da questão da não pessoalização dos crimes, não verificação do grau de participação e ter uma sentença injusta e não recomendável”, disse o causídico. Entretanto, num texto por si publicado nas redes sociais intitulado “Em defesa da verdade”, o jurista disse que desconhecia que os fundos tivessem vindo do Grupo Parlamentar da UNITA, porquanto tinham sido abordados pelo advogado David Mendes, que prometera contactar determinadas pessoas em Luanda para aderirem à campanha de recolha de valores. “Em nenhum momento e, até agora, falou-nos que seria a UNITA, nem tão-pouco dos ilustres deputados Raúl Danda e Adalberto da Costa Júnior”, disse Domingos Eduardo. Contrariamente ao que OPAÍS noticiara no início da semana, Chipilika Eduardo diz que em momento em algum a defesa falou da possibilidade de recurso junto do Tribunal Supremo, declarações erroneamente atribuídas à defesa.

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