Base do Kwanda prossegue processo de angolanização nos petróleos

O engenheiro Cristóvão Daniel, da base do Kwanda – no município do Soyo, província do Zaire, disse que só estão na empresa cidadãos expatriados cujo papel é preponderante para o funcionamento da mesma

Patrícia de Oliveira

No terceiro dia da Feira Internacional de Luanda ( FILDA), que decorre desde 09 de Junho, Terçafeira, as Parcerias Público-Privadas (PPP) estiveram em destaque. Na sua intervenção, o director da base do Kwanda, João Daniel, realçou o facto de haver uma redução considerável de mão-deobra expatriada naquela base.

Na sua abordagem no painel sobre Parcerias Público-Privadas, João Daniel sublinhou que “tivemos perto de 200 expatriados e hoje estamos com apenas 24. Temos técnicos que operam máquinas sofisticadas e que precisam de técnicos altamente qualificados”, referiu o engenheiro, acrescentando que o processo de angolanização vai continuar.

“Para tal precisamos de ter técnicos à altura das substituições, pois trata-se de um sector com algumas especificidades”, lembrou. Segundo ele, as PPPs estão num sector muito complexo, que é o petrolífero, onde há muitas exigências, ressalvando que é uma experiência que tem dado frutos.

A experiência das PPPs no Kwanda pode ser transportada para outros sectores e pode ser lançada para outros locais. Porém, uma PPP depende de muitas questões, nomeadamente o planeamento, gestão de conhecimento para dar seguimento a estas tarefas. Tal como um investimento na educação, apesar de pouca gente reconhecer, o país já investiu muito em quadros.

“Dentro de uma PPP surgem oportunidades de formação, uma experiência que pode ser transportada tanto para sectores como a agricultura e todas acabam por gerar negócios positivos”, salienta. Referiu ainda que, quando se deu início ao projecto do Kwanda houve muitas dificuldades.

“Podemos constatar que havia muitos pescadores, agricultores, escolas para a capacitação dos técnicos eram praticamente inexistentes. Mas, hoje temos outros sectores que intervém no negócio, é uma experiência em que se conseguiu sucesso graças a outros sectores.

Falando da experiência de Portugal em termos de PPPs, Faria de Oliveira, chefe do Centro de Excelência da UPPP de Portugal disse que as Parcerias Público- Privadas não dependem do Orçamento Geral do Estado.

Elas andam pelos próprios pés. Ainda assim, ressalvou, há más experiências com a sua implementação. Entrando para o caso angolano, disse que as tarifas não podem aumentar os 5% dos rendimentos das famílias.

No entanto, acontece que os rendimentos são inferiores que aos da Finlândia e Portugal. Em sua opinião, as PPPs são parcerias e as empresas privadas tem de ser chamadas a colaborar nos desafios do Governo de Angola, sublinhando a necessidade da criação de muitas ligações que permitam um maior fornecimento de água pelo país.

No caso do sector privado, sublinha que à entrada dá-se por via de contratos de gestão, de operação e manutenção, e aquisição de um conjunto de peças, e recursos para as empresas provinciais que foram recentemente criadas. Explica que a ajuda é feita por meio de contratos curtos, em que os privados têm parcerias com as empresas, procurar montar da melhor forma as instituições com recursos para Angola.

Questionado se esse processo não iria onerar os custos, respondeu que “não porque quem financia os contratos é o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. A banca internacional é muito importante nesta fase”, reconheceu.

Por sua vez, Pedro Neves, consultor para o sector dos transportes, referiu que a fiscalização é fundamental para as UPPPS, uma tarefa que envolve a sociedade civil, inclusive os jornalistas. A Feira Internacional de Luanda acontece desde Terça-feira, 09 de Julho, na Zona Economia Especial Luanda – Bengo. Participam no certame mais de 700 empresas dos vários sectores de actividade, entre nacionais e estrangeiras.

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