Comboio do CFB descarrila em dia de visita do embaixador chinês

Uma composição do Caminho-de-ferro de Benguela, reabilitado no quadro do crédito chinês, descarrilou no troço Benguela – Luhongo, no início desta semana, segundo populares. O facto ocorreu justamente na altura em que o embaixador chinês visitava a província de Benguela, onde manifestou o interesse do seu país de investir na indústria petroquímica

Constantino Eduardo
em Benguela

O Comboio do CFB teria descarrilado algumas horas antes da visita do embaixador chinês às infra-estruturas do Corredor do Lobito, fundamentalmente o Porto Comercial do Lobito e o próprio CFB.

O diplomata chinês trabalhou em Benguela para o reforço da cooperação económica, tendo considerado a província, dada às potencialidades infra-estruturais, um parceiro ideal para o gigante asiático. Na Terçafeira, 9, segundo soube este jornal, os técnicos do CFB procederam ao trabalho de carrilamento da locomotiva, cujo “despiste” não causou danos humanos. O estranho foi o facto de a direcção da empresa ferroviária não se ter dignado em prestar quaisquer informações, apesar da insistência da imprensa interessada em abordar o facto.

Não obstante a falta de informação com que se confrontaram alguns órgãos de comunicação social, OPAÍS tentou a “sorte” abordando o Gabinete de Comunicação e Imagem e este, por sua vez, isso no dia 10, Quarta-feira, negou, primeiro, ter havido qualquer facto daquela natureza. Entretanto, no dia seguinte, às 11 horas da manhã, a mesma entidade, novamente confrontada pelo OPAÍS, salientou que a responsável da área técnica estaria indisponível, “numa área sem cobertura”.

O GCI promete, entretanto, um pronunciamento da empresa oportunamente. Fontes não entendem as razões de até aqui a empresa não se ter pronunciado sobre o assunto, especulando que, talvez, se deva ao facto de terem sido chineses os construtores da linha férreas que, nos últimos tempos, vão causando enormes constrangimentos ao CFB.

 O descarrilamento surge numa altura em que a empresa se prepara para reforçar o transporte de mercadorias com 300 novos vagões encomendados ao gigante chinês de logística “Sinotrans”, segundo o presidente da Administração do Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), Luís Teixeira, citado pelo Vanguarda.

Segundo a mesma fonte, que se sustenta de uma notícia da TPA, com a chegada dos vagões, o transporte de mercadorias aumentará de 94 mil toneladas/ano para mais de 300 mil toneladas, incluindo o tráfego internacional, de que se destaca os minérios extraídos nas regiões de Katanga, na República Democrática do Congo

Acidentes frequentes

A situação ao lado mencionada não é a primeira envolvendo locomotivas do Caminho de Ferro de Benguela (CFB). Em Fevereiro deste ano, ocorreu um acidente entre dois comboios que faziam a rota Cavimbe e Cangumbe, na província do Moxico, cortando automaticamente a ligação com o município do Cuito (Bié).

O incidente ocorreu nas imediações do quilómetro 845 da referida linha férrea, envolvendo duas composições que vinham no sentido descendente Moxico-Benguela, entre as duas localidades acima mencionadas.

Em consequência do descarrilamento de uma locomotiva e quatro vagões, um dos maquinistas ficou ligeiramente ferido. Contudo, o acidente não afectou a operacionalidade do CFB nos troços Lobito (província de Benguela) – Huambo, Huambo-Cuito e Luena-Luau, ambos municípios do Moxico.

Em Outubro último, uma composição proveniente do Lobito descarrilou, entre as comunas do Lepi e Calenga, ambas da província do Huambo, por causa do excesso de carga num dos seus vagões. Composto de 23 vagões, o comboio tinha como destino a província do Moxico, transportando, maioritariamente, combustíveis.

O incidente danificou 506 travessas da linha férrea. Um dos primeiros descarrilamentos de um dos comboios do CFB ocorreu em 2013, na Estação da Recovagem, no Lobito, sem provocar vítimas. O comboio proveniente da cidade de Benguela ia a uma velocidade de 10 quilómetros por/ hora, ao chegar à estação do São Miguel. De referir que sempre que ocorrem tais situações, equipas de peritos do Ministério dos Transportes e do Instituto Nacional dos Caminhos de Ferro de Angola (INCFA) deslocam-se ao local para investigar as causas.

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