Demolições à vista no Lubango deixam munícipes apreensivos

Administração local desclassifica as acusações dos moradores como sendo “infundadas”, tendo garantido ter sido feita a comunicação prévia. Quanto ao seu realojamento na centralidade da Quilemba, disse ser uma ser uma questão em estudo

João Katombela, na Huíla

Lubango, cidade capital da Huíla, tem estado a observar um conjunto de obras de reabilitação e requalificação que são fruto da nova dinâmica da governação local. Porém, algumas infra-estruturas integradas, com destaque para a reabilitação de estradas, abertura de novas avenidas e construção de áreas de lazer, podem levar à demolição de algumas residências.

Uma das zonas abrangidas é a do Bairro Comercial, concretamente no quarteirão (25), onde está a ser erguida uma obra paralela à margem do rio “Mukufi”, que atravessa a cidade.

Nesta zona, o cadastrasmento para as demolições já teve início, com demarcações executadas pela Administração local. Entretanto, este processo está a ser encarado pelos moradores como tendo falta de lisura, por pecar, segundo afirmaram ao OPAÍS, pela não comunicação prévia.

Por esta razão, os moradores da referida zona dizem temer por um desalojamento que os venha a deixar ao relento. “Tivemos uma reunião com a administradora do bairro, ela disse- nos que, à semelhança do que está a acontecer no bairro Camazingo, vai acontecer aqui no bairro comercial.

O bairro, no seu todo será demolido, mas de forma faseada”, contou, Pedro Chivela. Apesar de reconhecerem o engajamento do Executivo e afirmarem estarem alinhados, a sua maior preocupação reside no realojamento, com a provável demolição das suas residências.

“Nós nascemos aqui e temos conhecimento dos projectos do Governo que tendem a melhorar a imagem da cidade do Lubango. Não queremos interferir nos projectos do Governo, só não cabe na nossa cabeça que o bairro todo seja demolido sem o realojamento condigno” advertiu.

“Estão a marcar umas casas e outras não, porquê desse critério? Se dizem que vão demolir todo o bairro, têm de marcar todas as casas e não apenas algumas, como está a ser feito”, avançou uma das moradoras entrevistadas.

Sobre a possibilidade de serem realojados na centralidade da Quilemba, os moradores levantam outro problema, inerente aos preços practicados para a renda resolúvel, que dizem não caberem na capacidade dos seus bolsos.

“Querem levar-nos à Centralidade e nós não temos o dinheiro que eles precisam”, disse. Durante o processo de cadastramento das residências que possivelmente serão demolidas no quarteirão 25 do Bairro Comercial, na cidade do Lubango, os moradores receberam garantias de que serão realojados na centralidade da Quilemba.

A estes moradores, segundo adianta a Administração local, se forem transferidos para a centralidade da Quilemba, terão de pagar uma renda mensal avaliada de 12 mim Kwanzas. “Aqui há pessoas que sobrevivem com 5 mil Kwanzas, Como é que vamos viver? Querem fazer como fizeram com os outros que foram para a Tchavola, sem qualquer condição”, disse a moradora Amélia Namako, que diz viver da venda de carvão.

Administração não garante realojamento na Quilemba

Lúcia António, da Administração local, fez saber que a situação está sob controlo, apesar do clima de suspeição criado entre os moradores. Esclareceu também a informação segundo a qual não foi feita uma comunicação prévia aos moradores daquela zona. “Trabalhamos em conjunto com o coordenador da zona.

O que vamos fazer, ou estamos já a fazer, é um cadastramento para vermos quantas famílias estarão abrangidas. Reunirmo-nos na semana passada para passar está informação”, disse. As residências a serem demolidas serão apenas aquelas que estiverem no perímetro abrangido pelas obras.

Sobre o realojamento na centralidade da Quilemba, Lúcia Francisco referiu que tudo estará a depender das instâncias superiores, tendo garantido estarem em curso negociações neste sentido. “Não é uma promessa, é uma negociação entre as instâncias superiores e os moradores. A nós cabe apenas a sensibilização e o acompanhamento técnico”, garantiu aquela responsável.

 

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