Docentes universitários descontentes com salários menores do que os de “seus alunos”

A reclamação foi comunicada ontem a OPAÍS pelo Sindicato dos Professores Universitários (SINPES), que insiste na revisão salarial como forma de se evitar nova greve

Alberto Bambi

O secretário-geral do SINPES, Eduardo Peres Alberto, manifestou o descontentamento da classe que representa pelo facto de estarem a assistir a uma remuneração mais alta daqueles que consideram seus alunos.

“Trata-se de magistrados, tal como fez questão de referenciar a figura do Presidente do Tribunal Supremo, que, segundo avaliou, aufere um ordenado superior a 570 mil Kwanzas, assim como realçou o de um general das Forças Armadas (FAA), que, de acordo com a sua leitura, recebe 540 mil, ambos superiores aos 444 mil do Professor Catedrático, a categoria mais alta da docência no nível superior”.

Para justificar a insatisfação dos docentes, o sindicalista fez entender que tanto os magistrados, quanto as altas patentes militares, recorrem aos serviços dos professores universitários sempre que pretenderem frequentar e concluir as suas licenciaturas, os seus mestrados, pós-graduações e doutoramentos e outros graus acadêmicos.

Segundo ele, essas e outras sessões de formação, que, normalmente, são ministradas em forma de aulas, seminários, conferências por docentes, cobram desses técnicos do ensino um esforço igual ou ainda maior do que o das entidades citadas, que, na óptica do interlocutor desse jornal, são dotados de tais competências na escola.

Por causa disso, Peres Alberto e a sua equipa recomendaram aos dirigentes do Ministério do Ensino Superior, ainda nesta semana finda, que revissem, em definitivo, o processo dos salários dos professores.

“Até porque, na altura das primeiras reivindicações levantadas pelo SINPES, houve compreensão da parte dos docentes, que se disponibilizaram a esperar por uma fase melhor, já que o país se encontrava numa crise financeira mais crítica, em relação ao momento actual.

Entretanto, se os magistrados e os generais são atendidos, significa que há capacidade financeira para atender de forma justa, os professores universitários”, argumentou o líder do sindicato, para quem o tempo de aceitação dos erros e correcção por parte do órgão reitor é elástico.

Dívidas e a “lição” anterior

Eduardo Alberto Peres acredita que, com os encontros regulares que o sindicato e pares têm tido com o Ministério, as razões que poderão resultar em resoluções possíveis estão à vista, já que o mesmo se passou com a situação da dívida, que já está a ser paga.

“Quando, em 2012, despertámos a atenção do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação para atender à dívida com os professores, que nessa altura rondava os três mil milhões de Kwanzas, este órgão quase que desprezou, desmentiu, ao ponto de nos classificar de exagerados.

Mas, algum tempo depois de lhe ser imputada a responsabilidade de apurar tal facto, a conta ficou em quatro mil milões e 800 milhões”, recordou o sindicalista, tendo asseverado que as coisas aí “só descongelam depois da orientação do Presidente da República”.

Aliás, Peres Alberto, que deixou patente já ter havido ordem do mais alto mandatário do Estado para tal fim, disse que os recursos humanos do ministério foram, durante algum tempo, incapazes de apresentar os dados da dívida real.

Louvada primeira evolução nos ordenados

Apesar das parcelas por reajustar nos salários dos professores universitários, o secretário do SINPES louva o facto de, há ano e meio, ter havido uma evolução nos vencimentos de docentes estagiários e assistentes, que já auferem, respetivamente, 301 e 357 mil Kwanzas, uma vez que os primeiros tinham uma remuneração orçada em 170 mil.

Ainda na senda dessa progressão, que a colégio dos académicos considera “relativa”, os professores auxiliares e associados viram os seus vencimentos a subirem para 381 e 405 mil Kwanzas, enquanto a tabela do catedrático passou para 444 mil.

Finalmente, Peres Alberto aconselha os órgãos de direito a ajustar os ordenados dos professores até, pelo menos, dobrar a oferta do magistrado, para que não se fique pelas políticas remuneratórias alternativas. “Enquanto estivermos no sector da ciência, não nos devem alegrar, mas, sim a correcção e resolução”, rematou o líder sindical.

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