ORMED junta-se ao INAAREES para identificar falsos médicos

ORMED junta-se ao INAAREES para identificar falsos médicos

A bastonária da ORMED prestou essa informação à imprensa, à margem na cerimónia de empossamento dos membros do conselho provincial e regional Norte da organização. Considerou que muitos cidadãos aproveitaram-se da fragilidade da base de dados da sua organização para tirar proveito, situação que está a ser revista. Para fortalecer o combate aos falsos médicos, garantiu que vão reforçar o sistema de controlo da base de dados e implementar um novo modelo de cédulas. Conforme noticiou OPAÍS na sua edição de 16 de Junho último, Elisa Gaspar revelou, na província do Cunene, que há técnicos de saúde de nacionalidade cubana que não são médicos, mas que trabalham como tal em algumas unidades sanitárias do país. “Nós temos colegas cubanos que não são médicos. Temos exemplos concretos. Vieram como enfermeiros e trabalharam como médicos, ganharam como médicos”, frisou. Com o fim do contrato de serviço que os trouxe para Angola, regressaram à Cuba. Depois voltaram, de novo, à Angola e estão a fazer os cursos superiores de medicina e de enfermagem em Luanda. Garantiu que têm casos concretos e que estão a trabalhar neles. Para dissipar qualquer dúvida que possa pairar sobre os profissionais do sector presentes na cerimónia de empossamento de Mwariz Kabey como o primeiro presidente regional da ORMED no Cunene, Elisa Gaspar declarou que uma das técnicas que está a tirar a licenciatura em medicina é sua amiga. “Ela veio como médica. Esteve a trabalhar numa das províncias com essa qualidade. Terminou a missão, voltou à Cuba, agora veio a título individual”, frisou. Este não foi o único caso que a Bastonária da ORMED usou como exemplo, a fim de encorajar os seus associados a denunciarem. Contou o caso de um enfermeiro que estava a trabalhar como médico e agora está a fazer a licenciatura em enfermagem. Por outro lado, sublinhou que faz muito gosto que os expatriados venham ajudar o país neste sector, no entanto, espera que sejam honestos com o país que os acolhe. “Todos aqueles que não forem, vamos denunciá-los informando as autoridades competentes para que isso termine”, frisou. Revelou que tem mais de duzentos processos de alegados médicos formados em Kinshasa, na República Democrática do Congo. Para resolver esse caso, solicitou uma audiência com o embaixador desse país vizinho em Angola. “Como é que pessoas que não estão qualificadas vêm ocupar lugares de pessoas qualificadas que estão no desemprego?” questionou.

“Há mais de três mil médicos no desemprego”

Elisa Gaspar declarou que existem mais de três médicos formados tanto em Angola como em países como Cuba e Rússia, entre outros que integram a lista de quadros qualificados no desemprego, quando existem “charlatões a ganharem bastante e não são médicos. Vamos ter de acabar com isso”. Reconheceu que todas as províncias precisam de médicos, mas não estão a conseguir enquadrálos por não existirem vagas no sector. Ainda existem mais médicos a caminho do país. Disse ter em sua posse o dossier de médicos coreanos e vietnamitas que decidiu, por enquanto, não assinar. Primeiro quer perceber se são, de facto, formados no ramo. “Como é que tenho mais médicos angolanos no desemprego e estou a receber médicos expatriados? Cooperação sim, mas temos de ver como. Não podemos beneficiar uns, em detrimento dos nacionais”. O seu elenco pretende realizar um congresso extraordinário. Uma das inovações que está a implementar é a possibilidade de as direcções dessa organização poderem abrir uma conta bancária para que os seus associados passem a pagar a quota localmente. Os valores arrecadados serão geridos pelos presidentes dos conselhos provinciais, deixando assim de dependerem neste quesito do órgão central, sedeado em Luanda. As declarações para o exercício da profissão fora da capital do país passarão a ser assinadas pelos responsáveis locais da organização. A ORMED passará a enviar as cédulas profissionais às direcções provinciais e passará a ser lá onde os seus utentes as irão levantar. Somente os que pretendem inscrever- se pela primeira vez é que deverão deslocar-se a Luanda.

Mal-entendido com os enfermeiros

Quanto ao aparente conflito com as diversas associações de enfermeiros, Elisa Gaspar disse não ter passado de um “mal-entendido”

uma vez que fez os seus pronunciamentos para os médicos que estiveram na cerimónia de apresentação do presidente da sua organização na província do Cunene. “A bastonária da Ordem dos Médicos estava numa reunião de médicos, a falar para médicos, com médicos, não com enfermeiros”, frisou, sublinhando que a sua função é defender os médicos. Numa nota enviada a OPAÍS, a Ordem dos Enfermeiros e as associações dessa classe exigiram que ela apresentasse um pedido público de desculpas aos seus filiados por se sentirem lesados com os seus pronunciamentos, a que consideraram “incendiários e desprovidos de ética”. Em causa está o facto de ela ter afirmado que os enfermeiros não estão qualificados para discutir casos clínicos com os médicos. O Ministério da Saúde, por sua vez, sublinhou que todos os técnicos que desenvolvem actividades de promoção, prevenção e tratamento na área da saúde, independentemente da sua categoria profissional, são indispensáveis para o sistema nacional de saúde. Pelo que trabalham lado a lado num clima de harmonia e concórdia para o desenvolvimento e funcionamento dos serviços. Essa informação foi manifestada num comunicado de imprensa enviado a OPAÍS.

Médica aponta solução para melhorias no sector

A presidente do núcleo de Luanda da ORMED, Manuela Clementina Sotto Mayor, defendeu a existência de médicos de família e outros profissionais de apoio a nível dos municípios nos cuidados primários de saúde, para reduzir a sobrecarga e melhorar o trabalho nas unidades de referência.

Manuela Sotto Mayor considerou que o médico de família é uma especialidade que o país precisa para atendimento nos cuidados primários de saúde na periferia onde a demanda de pacientes é maior. “Se os cuidados primários de saúde funcionarem na periferia, aqui no topo, nos serviço centrais, o trabalho vai ser melhor e a sobrecarga menor”, ressaltou, de acordo com a Angop. Médico de família é a denominação pela qual é habitualmente conhecido o especialista em atenção básica. Para tal, é necessário ampla capacitação em diversas áreas da Medicina.

Trabalha habitualmente nos Cuidados de Saúde Primários. A médica gineco-obstetra, que trabalha há mais de 25 anos na maternidade Lucrécia Paim, disse que irão trabalhar para que o atendimento dos pacientes seja melhor com a superação dos médicos, porque muitas vezes a sobrecarga de trabalho faz com que no final o serviço prestado não seja eficaz. A Ordem dos Médicos controla, a nível do país, perto de sete mil médicos, dos quais cinco mil estão em Luanda.