Dívida de AKZ 13 milhões “tira o sono” de familiares de bióloga brasileira

Deste valor, apenas foram pagos cerca de cinco milhões. Esforços estão a ser feitos para a negociação dos oito milhões em falta

Afrodite Zumba

O desejo da bióloga brasileira Daniela Pinheiro Bitencurti, de 42 anos, de trabalhar em Angola, contribuindo para consciencializar a sociedade luandense sobre os riscos que o lixo acarreta para a saúde, acabou por transformarse num dos piores pesadelos para os seus familiares.

Entretanto, a sua estadia em território nacional veio a ser interrompida quando teve uma crise de saúde, de mal-estar que a levou a ficar internada numa unidade hospitalar privada em Luanda, lutando contra a malária, acabando por não resistir, perdendo a vida após seis dias de internamento. Neste período, foi contraída uma dívida de cerca de AKZ 13 milhões.

No Brasil, a família, aflita, realizava todas as diligências para obtenção do visto da irmã da malograda “Carina”, que decidira deslocar-se a Angola para acompanhar o processo de transladação do corpo da sua irmã.

Enquanto isso, decorria uma campanha para arrecadação de verbas, nomeadamente no seio de familiares e amigos, na comunidade brasileira em Angola, assim como nas instituições de ensino universitárias nas quais trabalhou.

Em declarações a OPAÍS, a presidente da Câmara do Comércio Angola – Brasil, Camila Silveira, que acompanhou o processo da transladação do corpo até à terra natal da malograda, revelou que desta iniciativa foi possível angariar USD 23 mil USD para custear as despesas referentes à transladação do corpo, bem como a realização do funeral.

Foi possível reservar ainda cinco dos AKZ 13 milhões em dívida com a Clínica Sagrada Esperança. “Apesar da contribuição do seguro com USD 10 mil, ainda resta a árdua batalha para quitar a dívida com o hospital.

Contamos com alguma ajuda para tentar negociar o valor em falta. Solicitamos apoio para este assunto. Gostaríamos muito de dar por encerrado o caso com este valor para a paz definitiva dos seus familiares”, enfatizou.

Vítima fez check up antes de viajar

Camila Silveira afirma que a malograda adoptou medidas preventivas antes de desembarcar no território angolano. Além das doses das vacinas exigidas para viajantes que se deslocam a países tropicais (como Angola), há relatos de que também tenha feito um check up médico. Entretanto, os cuidados não foram suficientes para que no dia 27 de Junho de 2019 fosse vítima da malária, apontada como a primeira causa de morte em Angola. Daniela Pinheiro Bitencurti foi enterrada a 7 de Julho de 2019, no Brasil.

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