Zungueiras adolescentes “atraem” predadores sexuais

A Associação dos Vendedores Ambulantes diz haver zungueiras com 14, 15 e 16 anos de idade a ser aliciadas por ‘predadores’ sexuais. 56 outras crianças menores de 10 anos apresentam problemas de malnutrição

Milton Manaça

Cerca de 560 crianças filhas de vendedoras ambulantes já desistiram de estudar no presente ano lectivo, pelo facto de os seus encarregados de educação verem encerrados os espaços de venda.

A denúncia foi feita a OPAÍS pelo presidente da Associação Nacional de Vendedores Ambulantes, José Cassoma, que referiu que parte das zungueiras foram expulsas dos arredores dos mercados do São Paulo e do Calemba 2, locais onde tinham o ganha- pão para o sustento das suas famílias.

Em consequência, segundo o nosso interlocutor, as mães ficaram sem capacidade financeira para continuar a pagar as propinas, porque encontram-se em casa e as crianças viramse forçadas a abandonar a escola.

As 560 crianças são de Luanda e a associação presume que nas outras províncias exista problema similar. O número de crianças que tem abandonado a escola cresce a cada dia que passa e José Cassoma prevê que até ao terceiro trimestre lectivo o número possa dobrar ou triplicar, caso não se faça nada.

Malnutrição

Outras 56 crianças cujos pais deixaram de fazer a venda ambulante estão a padecer de malnutrição, de acordo com o responsável, que adiantou que os seus filiados foram pessoalmente apresentar a preocupação.

Cassoma frisou que até ao momento 17 famílias apresentaram filhos com este problema, pelo facto de os adultos estarem de mãos atadas e não encontrarem soluções para alimentar as crianças. Os municípios de Cacuaco e de Viana são os que registam mais casos de malnutrição de crianças filhas de zungueiros. Cassoma acrescentou que os petizes passam o dia à fome e à noite têm uma refeição pobre.

Referiu que as filhas adolescentes de muitas zungueiras, entre os 14 e os 16 anos de idade, que se encontram nesta situação, estão a enveredar para a prostituição, porque têm sido facilmente aliciadas com valores monetários e outros bens materiais.

“Temos casos de crianças com 14 e 15 anos que, pelos problemas sociais, também já são zungueiras e depois são aliciadas por predadores sexuais”, disse. E acrescentou: “É necessário que o Estado estabeleça uma idade para a venda ambulante, mas eles são alérgicos, não querem ouvir falar disso e só criam a fiscalização para reprimir”.

Não obstante as dificuldades, realçou que muitos fazem negócios precários de ginguba e mandioca, num valor que ronda os 1500 kz, mas com este valor conseguem sustentar as suas famílias”, disse.

A associação diz não ter capacidade para atender às preocupações das associadas e pede a intervenção dos ministérios da Educação (MED), da Saúde (MINSA) e da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU), para se traçar programas e solucionar estes problemas.

Esperam que as administrações municipais e o MED vejam a questão da escola, enquanto do MINSA aguarda uma solução para os casos de malnutrição. Quanto ao MASFAMU, os ambulantes querem que sejam beneficiados por uma cesta básica, antecedida de um cadastramento de cada um deles.

Encontro Nacional em Agosto

A Associação dos Ambulantes vai realizar um Encontro Nacional em que vai aflorar os principais problemas que afligem a classe. O encontro está previsto para acontecer de 15 a 28 do referido mês, em todas as províncias.

José Cassoma disse que a associação que dirige espera contar com o apoio dos governos provinciais, a quem pede que participem no encontro para, no local, tomarem contacto com a realidade por que passam vários homens e mulheres da “zunga”.

 

 

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