Engenheiro aplaude ordem de avaliação dos edifícios de Luanda

Engenheiro aplaude ordem de avaliação dos edifícios de Luanda

O engenheiro Angelino Quissonde louva a recente decisão do Estado angolano, por Despacho Presidencial, de avaliar o estado de degradação de todos edifícios da Marginal de Luanda. “O Governo está muito bem neste aspecto, porque o Presidente João Lourenço já emitiu um Despacho para se avaliar o estado de degradação de todos os edifícios da baixa de Luanda, por isso, penso que o resultado deste estudo emitiu uma importante informação do que deve ser feito para cada edifício analisado”, disse o engenheiro, tendo referido que todos os prédios que já atingiram o tempo de vida útil devem ser objecto de uma monitorização e de um processo de revitalização, a fim de os mesmos poderem ainda servir às populações de forma segura, durante algum tempo.

A satisfação do especialista em construção civil acontece em função do tremor ocorrido muito recentemente no denominado Prédio da Nocal, situado na Marginal de Luanda, evento que ainda preocupa os moradores da referida infra-estrutura. Angelino Quissonde, asseve rou que se devia fazer uma avaliação do estado de tensão e deformação do edifício para se determinar se a estrutura ainda está em prontidão para ser habitada ou não. “Essa avaliação envolverá uma série de ensaios laboratoriais, adequável e adequada, bem como o redimensionamento de todos os elementos estruturais, visto que o edifício terá atingido tempo de vida útil”, considerou o técnico de construção.

Além disso, recomenda ainda a necessidade de se avaliar se este pequeno incidente é devido ao facto de que o edifício já atingiu o estado de limite de utilização ou um simples deslocamento de queda, o que o próprio faz entender como descolamento ou movimentação de materiais de acabamento, tal como a má execução do mesmo, conforme fez questão de referir o académico, alertando que os edifícios que já atingiram o tempo de vida útil, antes de ruírem emitem sinais. Para o caso concreto do edifício Nocal, Angelino Quissonde, lembrou que o tecto falso desse prédio desabou, o que, no seu entender, representa um autêntico sinal que obriga a calcular se este é de perigo eminente ou não. Questionado sobre a razão que permite muitas infra-estruturas do género, fora ou dentro da Capital, manterem-se intactos, o engenheiro começou por dizer que, sobre o caso concreto, se estava a falar de edifícios que não foram objecto de muitas sobrecargas não previstas.

Realçou que a procura por habitação em Luanda levou à ocupação de todos os espaços dos edifícios, o que resultou no elevado número de ocupantes por fracção (apartamentos) e as consequentes alterações ao nível de terraços, espaços reservados para geradores, ar-condicionado, além de, em certos casos, a tendência de remoção e deslocamento de pilares. “Estas estruturas não sofreram muitas obras de reabilitação com a inclusão de materiais mais pesados, não sofreram com os decibéis do som da baía de Luanda, nem com a carga da dinâmica emitida por espectáculos na Baía de Luanda ou dos espectáculos e jogos no campo dos Coqueiros”, reparou o entrevistado, colocando a causa dos incidentes no facto de estarem à beira-mar, que, a seu ver, representa, por si só, um factor elevado para aumentar a degradação dos edifícios.

Possível real quadro técnico

Angelino Quissonde recorreu aos dados de um estudo feito por si próprio para realçar que, no edifício em causa, notam-se muitas patologias, tais como fissuras passivas e activas, infiltrações e fluorescência, cripto-fluorescência. “Os dois últimos fenómenos têm a ver com o avolumar de partes da parede, com a agravante de, no segundo, se chegar ao ponto de o reboque cair”, aclarou, fazendo constar na lista das irregularidades deformações plásticas, sistemas de abastecimento de águas, além de drenagens das águas residuais e pluviais degradadas, instalações eléctricas desordenadas, bem como corrimento de água na laje, do primeiro piso e sobrecargas não previstas no projecto, em forma de obras de ampliação ou substituição de materiais de origem por outros mais pesados (corrosão das armaduras). Sobre o diagnóstico de cargas não previstas, o técnico asseverou que o edifício sofre esforços que podem acelerar a sua degradação. O ambiente super-agressivo para as construções, causado pela alta humidade relativa da zona costeira, salinidade do ar e pela impulsão do edifício, devido às águas subterrâneas, também foram invocados como cargas imprevistas.