Macron anuncia criação de ‘Força Espacial’ francesa e aumenta militarização do espaço

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a criação de um comando espacial dentro da Força Aérea do país para aumentar as capacidades de defesa. A iniciativa é semelhante aos planos dos EUA e da OTAN

“Para dar substância a essa doutrina e garantir o desenvolvimento e reforço das nossas capacidades espaciais, um comando espacial será criado em Setembro próximo na Força Aérea”, afirmou Macron enquanto se dirigia a militares, um dia antes do feriado nacional do país – o Dia da Bastilha. A nova força será renomeada “Espaço e Força Aérea” em algum momento, revelou, acrescentando, no entanto, que o investimento para realmente criá-la ainda está para ser determinado.

No ano passado, a ministra da Defesa da França, Florence Parly, declarou que o país pretendia alcançar a autonomia estratégica no espaço, vendo-se pressionada por crescentes ameaças de militarização do espaço. A medida imediatamente provocou a comparação com a força espacial dos EUA, cuja criação foi pomposamente anunciada pelo Presidente Donald Trump no início deste ano. Espera-se que o sexto ramo das Forças Armadas dos EUA se materialize até 2020. Espera-se que mais nações da OTAN “surjam” com a mesma ideia, já que a aliança está a preparar- se para reconhecer o espaço como um domínio de guerra autónomo no final deste ano.

Brecha

O actual Tratado do EspaçoExterior de 1967 proíbe que todos os seus membros utilizem armas nucleares e outras armas de destruição em massa no espaço, posicionando- os na Lua e em outros corpos celestes, bem como criando instalações militares e mantendo manobras por aí. Ainda assim, o acordo não proíbe a implantação de equipamentos militares em órbita, salvo os de destruição em massa. Essa brecha resultou em ideias como o lançamento de armas cinéticas orbitais, o uso de lasers de todos os tipos e o estacionamento de mísseis convencionais. Nenhuma dessas ideias realmente se concretizou, principalmente devido aos custos astronómicos, assim como limitações técnicas e valor de combate questionável. Embora os EUA – e seus aliados, em menor medida – estejam de olho na militarização do espaço há anos, os seus adversários em potencial são os culpados por isso, como de costume.

Um artigo recente da Agência de Inteligência e Defesa (DIA) do Pentágono afirmou que tanto a Rússia quanto a China “vêem o espaço como importante para a guerra moderna e vêem as capacidades do espaço como meio de reduzir a eficácia militar dos EUA e aliados”. Tais actividades podem, em última análise, prejudicar a superioridade das Forças Armadas dos EUA. Tanto a China quanto a Rússia têm ramificações espaciais nas suas Forças Armadas, mas nenhuma delas colocou armamentos lá fora, concentrando-se na defesa – afinal de contas, é para o espaço que os mísseis balísticos estratégicos (dotados de cabeça nuclear, potencialmente) viajam assim que deixam o solo

leave a reply