O sumiço dos bons médicos?

Não temos médicos famosos. Nos outros países há sempre um ou outro médico que se destaca pelos “milagres” que vai fazendo. E a sua agenda fica quase sem espaços para descanso. Não se destacam por aparecem na televisão a teorizar sobre aquilo de que não têm competências para fazer na prática, tornam-se famosos pelos resultados do seu trabalho. Depois, a palavra que passa de paciente para paciente, de família para família encarrega-se de fazer o resto. O Dr. Paolo Parimbelli, “herói” italiano de uma reportagem publicada por OPAÍS em 2012, assinada por Luís Fernando, deve ter sido a última referência, pelo excelente trabalho de cura de mulheres com fístula obstétrica no Hospital da Damba, no Uíge. Antes, só perguntando aos nossos pais e avós sobre os médicos do seu tempo, e aparecerão muitos, sobretudo os missionários que trabalhavam para os mais desfavorecidos e faziam “milagres” em troca de nada. Mas não são apenas médicos, os hospitais de Caluquembe (na Huíla) e do Vouga (Cunhinga – Bié), por exemplo, eram tão bons nas suas especialidades que atraiam gente do estrangeiro. E hoje? Hoje temos também referências hospitalares, sobre os preços cobrados. E ponto. Alguém que aponte um nome de um médico famoso, pela sua competência, de uma destas clínicas caras. Alguém que inspire confiança e que se recomende. Não se vai a determinadas clínicas com a certeza na cura, mas porque também elas entram no pacote da ostentação. “O fulano pode porque vai morrer na clínica tal”. E depois da morte ainda lhe cobram X vezes cem. Os do Governo é que são espertos, tratam-se lá fora e até se recomendam os médicos bons.

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