Mister Angola clama por apoios para “combater a fome e a pobreza”

O mister Angola 2019 Josevânio Canga deplorou exclusivamente a este jornal, o pouco apoio que recebe para lutar contra a causa que defende: a fome e a pobreza, que durante os últimos tempos têm vindo a assumir proporções drásticas, face à crise económico-financeira que o país atravessa

Josevânio Canga, de 22 anos, distinguiu- se dentre 15 concorrentes e foi eleito Mister Angola ao conquistar a simpatia e o carinho do corpo de jurados, em Fevereiro último. De lá para cá, tem vindo a envidar esforços para defender uma causa: a luta contra a fome e a pobreza. “Para abraçar esta causa, contamos com a entrega voluntária de donativos para doações. E para esse ano estamos a tentar fazer aquilo que está ao nosso alcance, porque não temos um apoio externo”, acrescentou.

Josevânio conta que até ao momento actual não teve nenhum pronunciamento do Ministério da Cultura, por conseguinte, o mesmo diz que não é justo ficar parado à espera de apoios, por isso tem ido à luta. Ao longo desses meses, disse, a maior dificuldade que tem encontrado é a falta de apoios, por tratar-se de uma causa abrangente que requer muitos meios. “Não existe só pobreza e fome na capital Luanda. A pobreza estende-se pelas 18 províncias do país”, exclamou. “Se repararmos, nalgumas zonas periféricas da cidade capital há muitas necessidades de bens primários. E o comité não pode acabar com essas necessidades. Mas tem vontade de o fazer, para defender a minha causa. Precisamos de apoios. Pobreza está ligada à economia do país, e à governação, então urge a necessidade de estarmos ligados aos ministérios de tutela”, referiu.

Entre vários problemas por se resolver, o mister afirma ter escolhido defender essa causa por ser um problema com o qual nos deparamos no dia-a-dia. “Imaginemos que estás no restaurante a comer, e nessa altura aparece um pedinte. Se não for um rapaz, é um idoso a pedir alguma coisa. No engarrafamento, ao passares com o teu carro aparece sempre alguém a pedir qualquer coisa. E, com pena, sentes-te na obrigação de ajudá- los. Quando olhas para alguém e vês essa pessoa a passar por necessidades primárias, algo te toca, aí tens de ajudar essa pessoa”, lamentou.

Plano de acção

Além das doações resultantes da entrega voluntária de donativos, o mister conta, igualmente, com a a realização de concertos, cujos ingressos serão donativos. Por crer que em recintos académicos há sempre pessoas de “boa-fé”, as escolas e universidades serão palco de alguns eventos. “Estamos para começar ainda neste mês pelo IMEL, para arrecadar alguns donativos. Não nos vamos cingir apenas em doar aos orfanatos, há bairros periféricos que passam por muitas necessidades. Tive a oportunidade de visitar um bairro em Viana, com o nome Paraíso, e não gostei nada de ver a realidade. É muito difícil acreditar que até em Luanda há muitas pessoas que vivem com muitas necessidades primárias. O pouco de cada um dá para fazer a diferença, embora nunca chegue. Bom mesmo é não ficarmos parados”, desabafou.

Perfil

Josevânio Canga, natural de Luanda, nasceu a 30 de Setembro de 1997. Terminou o ensino médio no IMEL, tendo passado pelo curso de Contabilidade e Gestão. Em 2016, ingressou no Instituto Superior Politécnico Kalandula de Angola, na busca da formação superior do curso que fez no nível médio. Influenciado pelo seu irmão Atle Evaristo, modelo há mais de 5 anos, participou no concurso Mister Angola 2019, que venceu e logo conseguiu um lugar na agência de modelo Hadja Models. Importa frisar que Josevânio sempre teve muita inclinação para o humor. E no mundo da moda, o seu grande sonho é o de internacionalizar a sua carreira como modelo.

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