Os que acreditam

Amanhã, Quarta-feira, José Luís Mendonça apresenta o seu novo livro infantil, no Camões / Centro Cultural Português, que tem feito mais pela divulgação das artes angolanas do que o Estado angolano, que parece absolutamente insensível, tirando as maratonas do tipo da farra que levaram a Mbanza Kongo. É uma pobreza criativa que mete dó. É tal a incapacidade de imitar o que outros fazem que chega a assustar. Alguém deve apresentar um balanço público sobre o que aconteceu no FestiKongo. Julgo ser exigível. Paulo Bolota, o seu Grupo Experimental de Teatro e a Casa das Artes, em Talatona, tal como os escritores de livros infantis, são outros que remam contra a maré. E é bom que os pais ouçam isto e os procurem: eles encenam, quase que em permanência, teatro para crianças. Teimam em acreditar no sorriso, na vida e na educação artística como forma de construir um mundo melhor. Foi bom saber, também, que a maior parte do público do Festival de Teatro do Cazenga é infantil. Isto é muito mais importante do que certas plásticas do famoso PIIM. E, já agora, passe a redundância, será que contempla a construção de teatros também?, não me lembro de ter visto. Se o poder político entender bem a importância da liberdade artística, se respeitar a criação angolana e a apoiar, aí perceberemos como podemos ser um país influente e ter os nossos centros culturais a fazer também a imagem de Angola lá fora, como faz aqui o Camões. Alguém deve dizer aos nossos políticos que a arte é sempre um bom investimento, com retorno de todo o tipo. Mas estou a falar de arte e do país no seu todo, não de partidos e compadrios.

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