Carta do leitor: Akwá: estamos contigo!

POR: Buta M. Nzaguidi, Viana

Director do O PAÍS, espero que tenha uma óptima Quarta-feira, em nome de Deus Pai e todo o poderoso. Escrevo a partir do Luanda-Sul, em Viana, Luanda, mas nasci e cresci no município do Sambizanga, uma zona em que o futebol era como o pão nosso de cada dia. No princípio dos anos 90 do século passado, creio que depois dos confrontos em Luanda, depois das Eleições de 1992, comecei a gostar muito do Girabola, Campeonato Nacional de futebol da I divisão, em Angola. Aliás, à época, não tínhamos tantas opções como hoje, facebook, internet, canais deiversos de TV. Era só TPA e abria às 16 ou 17:00. Ao fim-de-semana todos os caminhos davam à Cidadela Desportiva, com a guerra que assolava no país, o futebol era mesmo o nosso bálsamo. Craques de verdade desfilaram na Cidadela e noutros relvados e campos pelados desta bela e rica Angola. O Akwá, capitão dos Palancas Negras, é um deles, no Nacional de Benguela, muitas vezes, mesmo sendo do Petro de Luanda, pela forma como jogava, deu alegrias aos amantes do futebol na Cidadela. Quando chegou a Selecção sub- 20, com Yamba Asha, Bifex, Bany, Simão Papel, Marito e outros era o máximo. Marcou e deu a marcar muitos golos. Lembro-me quando foram injustamente eliminados na Cidadela, já não sei qual era o adversário africano, mas o técnico Carlos Alhinho, já falecido, consolava o Akwá, sem desprimor para os seus colegas, jogou muito naquela tarde. Nós, os putos, seguiamos o Akwá e queríamos tocá-lo, porque já se revelava como sendo um grande grande marcador. Na Selecção de honras, com o mesmo técnico, participou da campanha que qualificou Angola para o primeiro CAN em 96 na África do Sul de Nelson Mandela. Durante a campanha, com Paulão, Castela, Roque, Jony, Neto, Minhonha Hélder Vicente e outros venceram a toda poderosa Guiné Conacry de Titi Camará, na Cidadela. Depois desse período, chegou Oliveira Gonçalves aos Palancas Negras, e foi ele quem marcou o único golo que qualificou Angola para o Mundial da Alemanha em 2006. Depois, teve o problema com a equipa do Qatar e o consequente afastamento pela FIFA de todas as actividades ligadas ao futebol, por fazer um jogo em nome dos Palancas e a Federação nunca ter pago a consequente multa. Isto é demais e vergonhoso. A Federação de futebol, em nome do Estado angolano, já devia ter resolvido isso. Assim, estão à espera que o Presidente João Lourenço faça alguma coisa. O Akwá só está a reclamar um direito que lhe assiste como antigo praticante, porque veio jogar em nome do Palancas Negras, agora nem o valor conseguem pagar e querem dizer que o homem está pobre, muito pouca vergonha!… Akwá, estamos contigo!

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