“Lenda da Mãe África e do Filho Que Vendeu o Coração” de José Luís Mendonça é apresentada hoje no CCCP

A obra, vencedora do Prémio Jardim do Livro Infantil 2019, tem 25 minúsculos capítulos, pertence à Colecção Sol Nascente e é destinada à faixa etárias dos zero aos 120 anos

É lançado hoje às 18 horas e 30 minutos, no Camões – Centro Cultural Português em Luanda, o livro intitulado, “Lenda da Mãe África e do Filho Que Vendeu o Coração” do escritor e jornalista, José Luís Mendonça. A obra, vencedora do Prémio Jardim do Livro Infantil 2019, pertence à Colecção Sol Nascente e está dividida em 25 minúsculos capítulos. É destinada a todas as faixas etárias, dos zero aos 120 anos e levou 2 anos a ser preparada. Nesta prestigiada obra, o escritor conta que, no tempo que passou e ninguém mais se lembra, existiu no Mundo uma floresta muito maior do que a Floresta do Mayombe.

Nessa floresta vivia uma mulher muito bonita, como o sonho sonhado por uma estrela. Mulher forte e corajosa, mulher negra, tão negra como a noite que existiu antes do Mundo. Os seus olhos eram brancos, tão brancos como a magia de uma madrugada quando está quase a chegar. A sua sombra tinha peixes que faziam cair as grandes chuvas. Quando ela acordava, dos seus olhos voava uma pomba que espalhava luz entre as árvores da floresta. Essa mulher negra e bonita, que tinha os olhos brancos como a madrugada chamava-se Mãe África.

Assim começa a estória, na qual os personagens, Mãe África, o Filho que Vendeu o Coração aos Espíritos de Kalunga Ngombe, o caçador luba Tyibinda Ilunga, a Rainha Lueji, o Marinheiro Cor de Cera e o papagaio Muxitu, que protagonizam uma alegoria da história do continente-berço da Humanidade até aos nossos dias. Criado com muito carinho e amor pela Mãe África, o Filho arranca o coração e vende-o aos espíritos das trevas (ambição, ganância e vaidade) para ser rico e poderoso como o Marinheiro Cor de Cera vindo da Europa. Depois de este ter escravizado impiedosamente Mãe África, é vez do próprio Filho escravizar a Mãe no período da independência, ao ponto desta encolher e desaparecer da face da Terra.

Percurso e obras do escritor

José Luís Mendonça nasceu a 24 de Novembro de 1955, no Golungo-Alto, província do Cuanza-Norte. Escritor e jornalista, é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto. Integra a denominada “novíssima geração”, expressão escolhida para designar o conjunto de jovens que começaram a despertar, no início dos anos 80, para o que é literário. É membro da União de Escritores Angolanos desde 1984 e jornalista de profissão, actualmente vinculado às Edições Novembro, E.P., onde exerce o cargo de director e editor-chefe do Jornal CULTURA, quinzenário angolano de Artes & Letras. Em 2005, foi contemplado com o Prémio Notícias Gerais da Lusofonia, no Concurso CNN Multichoice Jornalista Africano. No mesmo ano, o Ministério da Cultura atribuiu-lhe o Prémio Angola 30 Anos, na disciplina de Literatura, no âmbito das comemorações do 30.º Aniversário da Independência Nacional, pela sua obra poética Um Vôo de Borboleta no Mecanismo Inerte do Tempo, entre outras.

Livros publicados

Chuva Novembrina), edição do INALD, 1981, Luanda. (Prémio de poesia “Sagrada Esperança” – 1981), Gíria de Cacimbo, União de Escritores Angolanos, 1986; (Prémio Sonangol de Literatura). Respirar as Mãos na Pedra – União de Escritores Angolanos; 1989, (Prémio Sonangol de Literatura de 1988). Quero Acordar a Alva, INALD 1997, (prémio “Sagrada Esperança – 1996” (ex-aequo com Se a Água Falasse, de João Maimona) Logaríntimos da alma. 1998 – Poemas de amar, 1998, Ngoma do Negro Metal (2000), Edições Chá de Caxinde, entre outras.

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