Makuta Nkondo quer presença de PR nas zonas rurais

À semelhança da maior parte do país, as populações do Zaire, segundo o deputado, passam por situações de fome, miséria e calamidade, pelo que defende a constatação real do Presidente João Lourenço que, a partir de amanhã,18, visita esta província, por um período de dois dias

O deputado à Assembleia Nacional, pelo círculo provincial do Zaire, Augusto Pedro Makuta Nkondo, quer que o Presidente da Republica, João Lourenço, escale algumas zonas rurais durante a sua visita de dois dias à Mbanza Congo, capital da província, e ao município do Soyo. Segundo o deputado, é importante que João Lourenço visite as zonas rurais para entrar em contacto com a realidade do povo daquela região e poder constatar “in loco” o seu “modus vivendi”. Na sua opinião, mais do que relatórios das autoridades provinciais, o Presidente da República terá a oportunidade de saber mais sobre a Angola Profunda, que, segundo ele, é “pintada” pelos governadores e administradores para lhe agradar e esconder o dilema que as populações enfrentam.

Para o deputado, essa visita não terá nenhum significado nem vai se reflectir na melhoria da vida sócio-económica da província se João Lourenço limitar a sua estadia nas zonas urbanas e no “conforto do ar condicionado” do palácio e de outras estruturas locais do Estado. “João Lourenço só conheceu zonas rurais quando era militar. Agora que é Presidente tem sido enganado com a descrição de uma Angola no papel. Está dependente dos relatórios que os governadores provinciais e administradores municipais lhe apresentam. Tem uma visão fictícia e de cinema sobre o país”, desabafou.

PR responde ao “convite”

Makuta Nkondo admitiu que esta visita será o resultado de um “convite público” que fez ao Presidente da República quando esteve recentemente na Assembleia Nacional, apesar de não ter documento oficial sobre este convite. “Eu convidei o Presidente para irmos de estrada. Dentro da sugestão que apresentei, sugeri que fóssemos a uma aldeia, andar nas zonas rurais da Angola Profunda. Não convidei para estarmos numa sala com ar condicionado a comer e a beber”, disse Makuta Nkondo. Mais representatividade O deputado disse ainda que não foi oficialmente convidado a integrar a caravana presidencial. Todavia, caso tenha a oportunidade de privar momentos de conversa com João Lourenço, vai apresentar- lhe uma série de sugestões com vista a desenvolver o Zaire.

Deplorou que, apesar de ser uma das províncias que contribui largamente para o Orçamento Geral de Estado(OGE), ainda assim é assolada pela pobreza e desigualdade social, ao contrário de outras províncias. Uma das sugestões, apontou, é pedir uma maior representatividade da província a nível dos órgãos ministeriais. Para ele, há poucos “cérebros” no governo que representam a província do Zaire. Essa situação, no seu entender, pode ter sido um dos motivos da “exclusão” da região nos marcos das políticas públicas. “É preciso mais quadros do Zaire no Governo Central. O único ministro que temos é o Pedro Sebastião. Em termos de secretários de Estado quase que é nulo. Não entendemos os motivos dessa exclusão, quando até temos bons cérebros a nível da província”, desabafou.

Escola de petróleo e refinaria Outros dos aspectos que Makuta Nkondo defende e que espera sugerir a João Lourenço é a construção de uma refinaria e de uma escola de petróleo no Soyo. No seu entender, a construção dessas duas infra-estruturas vai atrair investimentos e poderá desenvolver o mais rapidamente àquela província que, na sua visão, encontra-se adormecida. “Defendo que, à semelhança do Cuanza-Sul, a província do Zaire e Cabinda tenham também uma escola de formação no ramo de petróleo. Não é possível que as duas províncias, depois de muitos anos, continuem a não merecer uma instituição nessa área de formação”, concluiu.

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