Mbanza Congo além do património da humanidade

“Não podemos falar do combate à fome e à pobreza com as vias de acesso intransitáveis”, afirmou a administradora municipal de Mbanza Congo, Nzuzi Makiesse, em entrevista a OPAÍS. Descreveu a sua área de jurisdição como um terreno fértil em que tudo germina mesmo sem adubo, entretanto, é preciso que o governo central, em particular o Ministério da Agricultura e Florestas, potencie os agricultores

Num ambiente de festa, em que este município comemorava a sua inscrição a Património Histórico da Humanidade pela UNESCO, Nzuzi Makiesse alertou, em entrevista exclusiva a OPAÍS, que além desse estatuto a zona é agrícola e que cerca de 80 por cento dos seus habitantes trabalham no campo. Contudo, em função do alegado fraco investimento neste sector, ao nível da região, sentem- se preteridos para habitantes do Sul do país. “Nós somos postos de lado. Não é uma questão de ciúmes. Temos visto que se presta mais atenção nessa particularidade aos agricultores do Sul”, frisou. Contudo, reconhece que os seus governados estavam acostumados a trabalhar individualmente e que só agora estão a agrupar-se em associações e cooperativas agrícolas.

Todavia, os apoios de quem esperam tarda a chegar, o que, de certa forma, está a comprometer o êxito do programa de combate à fome e à pobreza por ser difícil reduzir esses fenómenos somente com catanas e enxadas, pois necessitam de material mecanizado, como tractor.“Não podemos falar do combate à fome e à pobreza com as vias de acesso intransitáveis, porque a comida vem do campo. Mbanza Congo é fértil. A terra não precisa de adubo”, afirmou.Para mitigar essa situação, existem vários projectos em carteira, entre os quais o de requalificação de fontes de água. “Mbanza Congo está rodeado de 12 fontes de água. Agora, na primeira fase, vamos requalificar quatro delas. E estas vão ser bastante impactantes em termos turísticos e os nossos jovens terão mais locais de lazer. Acreditamos que os ganhos serão maiores”, frisou. O município de Mbanza Congo está subdividido em seis comunas: Sede, Luvo, Nkiende, Kalambata, Kaluka e Madimba, que têm na agricultura familiar e no comércio informal as principais ocupações dos seus habitantes.

Saúde confortável

No que tange ao sector da Saúde, Nzuzi Makiesse garante que estão bem servidos, porém, a rede precisa de ser expandida a fim de acompanhar o crescimento demográfico. “Até 2014, de acordo com o último Censo, tínhamos 850 mil habitantes. Acredito que aumentamos. Precisamos de mais escolas e centros de Saúde”, disse. Fez saber que, neste momento, a cidade de Mbanza Congo está bem abastecida em termos de água. Está em fase final o abastecimento de quase toda a cidade e a requalificação das tubagens estão em curso. Provavelmente daqui a três meses haverá água em toda cidade de Mbanza Congo. Recorrendo aos dados que alegadamente lhe foram passados pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), a governante garantiu que cerca de 70 por cento da população de Mbanza Congo tem energia eléctrica e há duas semanas que alguns passaram a utilizar o sistema pré-pago. “Ainda há muito trabalho a fazer porque muitas residências encontram-se sem energia”, realçou.

Para atrás ficou o período em que o município dependia de geradores. Nzuzi Makiesse recorda que foram momentos difíceis, com elevados gastos em combustíveis, mas agora beneficiam da rede eléctrica que sai de Cambambe passou para o Nzeto e Soyo, o que acredita vir a impulsionar o surgimento de fábricas e consequentemente emprego aos jovens. A dirigente acredita que, com a execução dos projectos constantes no Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) para Mbanza Congo, haverá melhorias significativas tanto no fornecimento de energia eléctrica como de água potável aos municipes. Entre os projectos inscritos pelo seu elenco no PIIM, constam as vias de acesso às comunidades pelo facto de a população enfrentar inúmeras dificuldades para escoar os produtos do campo para a cidade. “Devido ao actual mau estado das vias muitos produtos acabam por se estragar por falta de escoamento”, contou. Segundo Nzuzi Makiesse disse que nesta circunscrição presta-se mais atenção à formação de quadros nos sectores da educação e da enfermagem, mas nem todos seguirão esses ramos. “Precisamos de ter outras áreas de empregabilidade para os jovens, uma vez que o Estado não consegue dar emprego a toda gente”.

Mbanza Congo clama por investidores

Nzuzi Makiesse alerta às pessoas que queiram investir no município que “as portas estão abertas”. No entanto, adverte que a localidade debate-se com a insuficiência de infra-estruturas nos mais variados domínios económicos e produtivos. Para satisfazer este desiderato, auguram por iniciativas a realizar nos sectores do turismo e da hotelaria. “Quem quiser construir hotel e hospedaria pode chegar à província do Zaire, que não há burocracia. As portas estão abertas”, garante a administradora. Com a visita do Presidente da República, agendada para amanhã, a responsável afirmou que terão a oportunidade de apresentar as maiores dificuldades do município e da própria província. Nesse caso, a Saúde, a Educação, o melhoramento das vias de acesso, bem como o aumento do emprego, figuram entre as preocupações. Com as autarquias, o município está a apostar nas receitas locais.

Neste momento estão a apostar na construção de infraestruturas que fazem retorno do dinheiro, como na construção de alguns mercados comunitários e jangos para que os turistas encontrem os quitutes da terra. M’Banza Kongo, também grafada como Mabanza Congo, é a capital da província do Zaire. Tem cerca de 180.850 mil habitantes. Foi também capital do antigo Reino do Congo e designou-se “São Salvador do Congo” até 1975. Em 2017, o centro histórico de Mbanza Kongo foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO. As principais ligações rodoviárias de Mbanza Kongo são a estradas nacioanais EN-210, que dá ligação ao N’Zeto e ao Cuimba, e a EN- 120 (Rodovia Transafricana 3), que liga a Matadi (Congo- Kinshasa). A cidade ainda dispõe do Aeroporto de M’Banza Kongo, que em breve será transferido

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