Membros do governo de Benguela envolvidos na “máfia” de terrenos

As declarações dos cidadãos cruzam-se com as do administrador municipal de Benguela, que, em entrevista à Rádio Ecclésia, disse estar a trabalhar para desmantelar esta rede de criminosos. O administrador municipal de Benguela, Carlos Guardado, reconheceu o envolvimento de membros do Governo de Benguela na “máfia”, como chamou, de venda de terrenos na sua circunscrição

POR: Constantino Eduardo

O governante reagia assim a denuncias de cidadãos à Rádio Ecclésia, que davam conta do envolvimento de membros do Governo Provincial na ocupação ilegal de terrenos, visando o enriquecimento ilícito. Carlos Guardado, que nos últimos tempos se tem ocupado da resolução de casos desta natureza, garantiu que se depender de si, o grupo dos “mafiosos” terá os dias contados, porquanto as medidas do governo local estarão a ser direccionadas para este sentido. “Este é um grupo bem organizado. Estamos a trabalhar no caso. Nós precisamos é que estes elementos sejam denunciados…Mas já temos indícios de que alguns (membros do Governo) efectivamente praticam isso”, informou.

Avançou que as autoridades competentes estão a trabalhar no sentido de reverter o quadro e os próximos dias serão decisivos para estancar este mal, que está a prejudicar os cidadãos e o próprio Estado.“Estamos a trabalhar neste propósito de desmantelar essa máfia e poder conferir às comunidades o direito de um espaço para tranquilamente construir a sua casa própria”, disse. Denúncias de ocupação De acordo com um grupo de cidadãos, determinados membros do executivo local estarão a enriquecer por conta do negócio de terrenos, razão por que apelam a intervenção do governador provincial, Rui Falcão, a fim de se inverter o quadro. “Eles, primeiro, vêm com a história de que é reserva fundiária do Estado e depois começam a retaliar entre eles para vender”, denunciaram.

Entre os acusados, cujos nomes evitaram revelar por temerem eventuais represálias, alguns conseguiram carros devido à venda de terreno, havendo outros que trocam terreno por um carro. Nos últimos tempos, em Benguela, tem sido recorrente os casos de conflitos de terra. No princípio deste ano, fiscais na anterior gestão da Administração Municipal de Benguela eram acusados de terem vendido uma parcela de terra duas vezes no bairro das Salinas, zona B, estrada Baía-Farta/Benguela. Tantos os primeiros compradores quanto os segundos ostentavam título de propriedade lavrado pela mesma entidade, no caso a Administração Municipal de Benguela. O facto tinha gerado uma onda de contestação para a qual o governador provincial de Benguela foi chamado a intervir, depois de ter sido solicitado pelas partes.

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