Benguela, Luanda, terrenos, corrupção

Carlos Guardado, o administrador municipal de Benguela, admite que existam membros do Governo provincial metidos nas máfias dos terrenos. Esta é daquelas verdades que ao ouvi-las, o cidadão, se estiver a beber um líquido qualquer, pode engasgar-se ou sofrer um ataque cardíaco. O administrador fez uma grande descoberta, tão grande que já toda a gente deste mundo e do outro o sabia. O ideal seria a apresentação dos resultados da acção contra os prevaricadores. Em todo o país é sabido que não pode haver máfia de terrenos, com ocupações ilegais, com múltiplas titularidades sem a prestimosa “entrega patriótica” de gente do Governo e de outras instituições do Estado. Em Luanda, o antigo Iraque, onde se está a construir o novo hospital pediátrico, está a ser outra vez invadido. Os terrenos ainda livres, mas que se sabe reservados para projectos já aprovados pelo Estado, estão a ser ocupados por gente que constrói sem placas, sem identificação. E quando se pergunta, as respostas são curiosas: quando não são lojas do comandante da esquadra da Polícia, é porque são trabalhadores da Administração de Talatona a quem a antiga administradora cedeu terrenos. Num local destinado a uma escola, por exemplo, que tem um gabinete de gestão e que nada sabe sobre os novos inquilinos. Um destes dias teremos a “divina revelação” de que fiscais, polícias, membros do Governo Provincial e da Administração municipal estão metidos na coisa. Na sua primeira entrevista a dois órgãos nacionais (chamar-lhe-ei exclusiva, colectiva?), João Lourenço disse estar mais preocupado com a grande corrupção, precisa de juntar todas estas pequenas e os seus estragos para ver que talvez tenha de mudar de ideias. É tudo corrupção, é tudo perigoso é pernicioso.

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