Escolas do Sequele retornam às aulas sem esclarecimento do fenómeno “desmaios”

Depois de dois dias de paralisação das aulas, face à onda de desmaios ocorridos nas escolas “4073 Padre Inácio Tambu” e “4078 Padre Ernesto Rafael”, os alunos dos dois estabelecimentos de ensino regressam esta manhã às aulas no distrito urbano do Sequele, em Cacuaco

A informação foi prestada ontem a este jornal pelo director da escola do II Ciclo Inácio Tambu, Paulino Gabriel Satchenda, que fez saber que continuam as diligências para se apurar as causas dos desmaios de professoras e alunas (só o sexo feminino) que levou mais de 30 adolescentes e senhoras da sua instituição ao banco de urgências do centro médico local. À semelhança de casos anteriores ocorridos em escolas da cidade de Luanda, a mesma realidade foi verificada nas escolas do Sequele que, por essa razão, tiveram de suspender as aulas na Terça e na Quarta-feira, 16 e 17, em consequência do volume de ocorrências registadas no dia anterior, Segunda-feira, 15, e que têm vindo a registar-se desde o passado dia 4 de Julho.

Até ao momento, segundo o responsável, estão a ser apuradas as causas dos desmaios por uma comissão multi-sectorial, composta por efectivos do corpo Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, Serviço de Investigação Criminal, Polícia Nacional, da Brigada Química das FAA, técnicos do Ministério do Ambiente e da Administração do distrito. Entre as cidadãs “sinistradas” não estão apenas alunas e professoras das instituições sob gestão da Igreja Católica, como também do Núcleo da Escola de Formação de Técnicos de Saúde do Sequele, bem como populares nas cercanias das escolas. “Devemos deixar claro que o assunto continua a preocupar as autoridades locais e ao mais alto nível. As causas ainda não estão identificadas, e, pelo que nos é dado a ver, em função dos alunos e não só assistidos, a falta de ar e fadiga é o que se regista. Estamos a trabalhar para que num curto espaço de tempo possamos ter as reais razões destes incidentes”, salientou o director.

Paulino Satchenda apelou a que os alunos compareçam às aulas, uma vez que se está em período de revisão das matérias, com vista à realização das provas do fim do II trimestre, marcadas para a primeira quinzena do mês de Agosto, entre os dias 1 e 12. Por outro lado, anunciou que a instituição que dirige está a trabalhar no sentido de envolver neste processo de readaptação às aulas, especialistas em psicologia para o acompanhamento dos alunos, em função dos traumas que poderão advir das consequências destes incidentes. A escola “Padre Ernesto Rafael” lecciona o I Ciclo do ensino geral, enquanto a “Padre Inácio Tambu” ministra o II ciclo, nos cursos de ciências físicas e biológicas, ciências humanas e ciências económicas e jurídicas.

Outros casos

Os casos de desmaios nas escolas datam de 2009 e até ao momento ainda não foram descobertas as suas causas, mesmo depois de criada uma comissão inter-ministerial, pelo então Presidente da República José Eduardo dos Santos. De lá para cá, as especulações dão azo ao que cientificamente devia já ter sido apurado, pelo que se diz em surdina, a inalação de gás tóxico pela população estudantil vigora entre as principais causas do imbróglio.

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