Lopito Feijóo fala hoje em Lisboa da sua experiência literária africana

Através do livro ”Imprescindível Doutrina Contra”, lançada em 2017, o autor aborda a longa permanência no exercício do poder político e a tendência ditactorial das novas lideranças africanas

O escritor angolano Lopito Feijóo fala hoje das sua experiência literária no continente africano, num encontro de apresentação de obras literárias e académicas, que decorre nas instalações da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no âmbito da IV Conferência dedicada ao Estudo da Inovação, Invenção e Memória em África. Através do seu livro “Imprescindível Doutrina Contra”, lançada em 2017, o autor denuncia as assimetrias perpetuadas nos países africanos, praticadas pelos governantes e dirigentes políticos. Em conversa com OPAÍS, Lopito Feijóo referiu que durante o encontro vai retratar as coincidências que constatou nos demais países africanos, que visitou durante 20 anos, e resultou no lançamento do livro.

O poeta disse ainda que durante a sua abordagem vai retratar também a tendência ditactorial das novas lideranças africanas, assim como os motivos que promovem a fuga de cérebros africanos, para servirem no desenvolvimento de outros países, noutros continentes. “É sempre um motivo de honra para mim, ser convidado para eventos desta natureza, e, com carácter e dimensão internacional, principalmente quando os debates se focam em torno do continente africano”, observou. O escritor contou que no acto de abertura do evento, ocorrido ontem, ter sido possível interagir com os demais participantes, onde abordaram questões relacionadas com a interação entre os académicos e os artistas africanos, com base na necessidade de inovar as acções para o desenvolvimento do continente, preservação e o respeito à memória dos antepassados. O encontro termina amanhã, 19, e conta igualmente com a participação de outros autores e académicos, nomeadamente, Ana Mafalda Leite, Irakoczi Isteván, Francisco Topa e Philip Rothwell.

Sobre o livro

Com mais de 80 páginas, a obra poética está estruturada em três partes, que Lopito Feijóo metaforicamente denomina “instâncias”. Na primeira parte, contra a sorte e o sofrimento, o poeta denuncia as assimetrias que se perpetuam nos países africanos, que encontram nos seus governantes e dirigentes políticos o principal obstáculo para o progresso que se exige. Na segunda, retrata factos contra a morte e o esquecimento, com ênfase no ponto de vista filosófico e existencial, tendo em conta a corrente ideia da morte, regra geral associada ao esquecimento. Já no terceiro capítulo e último, ou “instância”, como considera o autor, (o imprescindível amor sempre), revela-se na sua multiplicidade. O amor por via do qual o poeta revela a sua capacidade de trazer o erótico sublime, sem atravessar a fronteira do pornográfico.

O autor

Lopito Feijóo, poeta e crítico literário, é membro fundador da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL), do Colectivo de Trabalhos Literários OHANDANJI, da União dos Escritores Angolanos (UEA), onde exerceu o cargo de secretário para Relações Internacionais. É, actualmente, presidente da Sociedade Angolana do Direito de Autor (SADIA), dirigindo a Gazeta dos Autores, órgão de divulgação dessa instituição. É membro correspondente da Académia Brasileira de Poesia “Casa Raul de Leoni” e, é, igualmente, membro da International Poetry dos EUA e da Maison Internationale de la Poesie, sediada em Bruxelas, Bélgica.

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