Mais 60 pessoas detidas este ano por tráfico e consumo de cocaína e crack

Cerca de 30 quilos de cocaína foram apreendidos no primeiro semestre nos portos, aeroporto de Luanda e postos fronteiriços, representando uma diminuição significativa, comparativamente ao mesmo período de 2018, quando 502 quilos já tinham sido retirados da rota do tráfico

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve, no primeiro semestre de 2019, 38 pessoas acusadas de envolvimento do tráfico e consumo de cocaína e outras 23 por crack, revelou a OPAÍS o chefe interino de informação da Direcção Nacional de Combate ao Narcotráfico, Carlos Manuel. Nas detenções por cocaína, a maioria, apanhadas em flagrante delito, estão 36 homens e três mulheres e no que diz respeito ao crack encontram-se a contas com a justiça 23 cidadãos nacionais, todos eles do sexo masculino.

O intendente Carlos Manuel disse que algumas destas detenções aconteceram no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, uma das principais portas de entrada de drogas no país. Aliás, o oficial do SIC afirmou que a maior parte da droga apreendida no país continua a ser proveniente do Brasil, que se serve do aeroporto de Luanda como porta de entrada e de passagem. “Angola continua a ser zona de trânsito, mas também temos casos de consumo que começam a preocupar-nos”, disse.

Carlos Manuel não falou do número de estrangeiros detidos, mas frisou que boa parte deles usa Angola como trânsito e, pelas dificuldades que o SIC tem encontrado para se comunicar países destinatários a Direcção de Narcotráfico detém estes cidadãos e posteriormente usa mecanismos para comunicar com as suas congéneres. O interlocutor disse que desvendar os locais de tráfico e consequente detenção dos seus autores é um trabalho complexo que carece de estudos e que leva algum tempo, pois, referiu, os traficantes também fazem estudos e agem com cautela, “porque quando o SIC saí à rua, saímos com certeza”, frisou. Para se ter um trabalho bem realizado, como é o caso dos mais de 60 cidadãos detidos no país no primeiro semestre, Carlos Manuel disse que é preciso, às vezes, três meses de estudo.

Liamba com 500 casos

A canábis, vulgarmente conhecido por liamba, é a mais consumida no país, uma droga de produção interna, em alguns casos cultivada, inclusive, no quintal dos próprios consumidores e comerciantes. Por ser uma droga que vai ao encontro do bolso do cidadão comum, é a que mais detenções regista e neste primeiro semestre de 2019 o SIC deteve cerca de 500 cidadãos. Entretanto, Carlos Manuel frisou que o SIC não está apenas preocupados em deter, mas também trabalhar na prevenção, tendo frisado que este órgão do Ministério do Interior está a trabalhar para que as drogas não cheguem ao destinatário final.

Cocaína dá origem a outros crimes

As medidas de prevenção no combate à droga são, segundo Carlos Manuel, formas de conter vários crimes que acontecem no país, realçando que a Cocaína, por exemplo, dá origem a outros crimes. Ainda assim, apesar da complexidade que envolve o combate à droga, o oficial do SIC garante que a situação no país está controlada.

Arrependimentos nem sempre são reais

Questionado sobre se o SIC tem trabalhado com as pessoas que dão a cara aos meios de comunicação social assumindo- se como ex-consumidores, para desvendar outras pessoas, Carlos Manuel disse ser necessário ter cuidado com essas pessoas, pois os arrependimentos nem sempre são reais. Segundo ele, às pessoas que estão envolvidas neste mundo são lhes passadas “duras” recomendações. “Porque para sair deste mundo não é fácil”, e acrescentou: “O SIC tem muitas formas para desvendar as pessoas envolvidas nos crimes de drogas”.

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