Dez anos a (des)maiar

Dez anos depois dos primeiros episódios, os desmaios colectivos de meninas e senhoras continuam, sem qualquer explicação aceitável. Ocorrem em todo o país, o que torna o fenómeno ainda mais preocupante. As autoridades ficaram-se pela explicação muito “científica” de causas como a fome (uma vergonha nacional se for verdade) e o uso de tissagens.

Ora, as tissagens não são um exclusivo angolano, nem todas as desmaiadas as usam e, apesar de o fenómeno não ter atingido ainda os colégios mais caros, até onde se sabe, não escolhe condição social. Os últimos casos foram os da cidade do Sequele, esta semana. Tirando a fome e a tissagem, buscaram- se provas científicas de verdade analisando o ar das áreas afectadas? analisou-se amostras do chão, da tinta das paredes, da madeira das carteiras, etc.? Fez-se uma leitura das imagens nas imediações recuando até quinze ou vinte dias antes dos casos?

Deve-se fazer todas as análises químicas e biológicas muitas e muitas vezes, já que os sintomas de que se queixam as vítimas não variam de região para região. Há que colocar sobre a mesa todas as perguntas: estamos sob um ataque extraterrestre? Sob ataque químico de uma potência que escolheu Angola como cobaia? Havendo casos semelhantes no mundo, como estão ou agiram as autoridades locais? E, já agora, há um registo fiável de todas as vítimas desde o primeiro caso e estão a ser monitoradas em termos de saúde física e mental? Em casos destes é proibido maiar.

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