governo diz-se preparado para travar o Ébola

governo diz-se preparado para travar o Ébola

Em declarações à imprensa, garantiu que foram reforçadas as medidas preventivas e de controlo sanitário nos principais postos fronteiriços com a República Democrática do Congo (RDC), país afectado por esta doença altamente letal e que já provocou mil e 676 mortos desde o seu ressurgimento em 2018. A província do Zaire partilha uma fronteira de 330 quilómetros com a RDC, dos quais 180 quilómetros de fronteira terrestre e 150 de fronteira fluvial (rio Zaire). A governante lembrou que o surto que atinge o país vizinho é o terceiro nos últimos anos, pelo que há muito que se preparam para fazer face a uma eventual situação de emergência sanitária. “Temos um intenso movimento de pessoas em ambos os lados da fronteira com a RDC, tanto na fronteira desta província como em outras de Angola com aquele país, pelo que estamos a acompanhar todo esse processo”, vincou.

Para tal, em 2018 foram realizadas acções de formação em matéria de controlo sanitário e prevenção do ébola dirigidas aos efectivos destacados nos principais postos fronteiriços com a RDC, em parceria com o Ministério do Interior. A RDC regista 12 novos casos por dia. Este surto, o segundo mais mortífero na história, é apenas ultrapassado pela epidemia que entre 2014 e 2016 atingiu a África Ocidental e que matou mais de 11 mil e 300 pessoas.

Angola na lista dos países com risco

A reacção da ministra Sílvia Lutucuta deveu-se ao facto de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter anunciado que Angola integra o grupo de países que estão em segundo nível no leque de territórios por onde a epide- Dr mia de ébola se pode expandir. Fazem parte deste grupo a República Centro Africana, a Tanzânia, a República do Congo e a Zâmbia. No grupo dos que mais correm tal risco figuram o Rwanda, Sudão do Sul, Burundi e Uganda.

O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou na Quarta-feira (18) o estado de emergência internacional na RDC depois da reunião do Comité de Emergência para avaliar a evolução da epidemia do ébola. Declarou que essa organização necessita imediatamente de centenas de milhões de dólares para evitar que a epidemia se descontrole e custe muito mais vidas e dinheiro. Na RDC está a decorrer uma vasta campanha de vigilância e vacinação, com quase 75 milhões de exames, o que mantem, há 11 meses, o vírus altamente infecioso quase inteiramente confinado em duas províncias do Nordeste do país.