Jovens do Zaire apresentam problemas ao PR para receberem soluções

Jovens do Zaire apresentam problemas ao PR para receberem soluções

Precariedade da rede sanitária da província, degradação das vias de comunicação, problemas da rede eléctrica, da água, da habitação, da imigração ilegal e outros, estarão em cima de mesa.

Alguns jovens que falaram à nossa reportagem, de entre as várias questões que querem ver resolvidas, defendem a necessidade da construção de uma centralidade, com vista a alterar a actual imagem da cidade, cujos edifícios, na vila do Soyo, carecem de intervenção e manutenção em termos de pintura e reabilitação.

Até ao fecho desta matéria, não foi possível apurar ao certo sobre os critérios de selecção dos jovens que vão estar no encontro com o Presidente da República. Vicente Estevão, 24 anos, disse que gostaria de ser um dos seleccionados para o “dedo de conversa” com o Presidente, para poder apresentar as suas preocupações.

Caso venha a ser seleccionado, o jovem, residente na comuna da Pedra do Feitiço, disse que gostaria de perguntar ao Chefe de Estado sobre o que estará na base do pouco desenvolvimento do município do Soyo, que até é um dos grandes contribuintes do Orçamento Geral do Estado (OGE), por via das receitas provenientes do petróleo. No seu entender, dado o nível de exploração de crude que o município oferece, não se justifica que a província do Zaire enfrente graves problemas em todos os “ângulos” da vida socioeconómica. “Aqui não temos nada. Não há desenvolvimento, apesar de sermos ricos em petróleo.

O Estado e as empresas só vêm cá explorar a nossa riqueza, mas não apostam no desenvolvimento do município. Até emprego não temos. É triste”, lamentou. Já o docente universitário Paulo Quilembe, advoga a necessidade de o Presidente da República, durante o encontro de hoje, trazer uma “boa nova” que possa resolver a falta de infra-estruturas de ensino superior a nível do município do Soyo, onde, por ausência de instituições do género, se tem obrigado muitos jovens a emigrarem para Luanda e para a República Democrática do Congo em busca da formação académica.

A Escola Superior Politécnica, que alberga um total de 2 mil e 894 estudantes, é a única instituição de ensino superior neste município, conhecido como a “terra do petróleo”. Para Paulo Quilembe, dada a especificidade da circunscrição, o Governo já deveria ter criado políticas públicas com vista a dar solução a este segmento de ensino, sobretudo no ramo das engenharias. “Não se admite um município como o Soyo ter apenas uma única instituição do ensino superior. Não faz sentido.

É um claro sinal da falta de vontade política”, desabafou. Já a administradora municipal do Soyo, Lúcia Tomás, em breves declarações a OPAÍS, disse que a visita de João Lourenço ao seu município vai dar um outro impulso para a resolução das prementes necessidades das populações.

Cepticismo da Oposição

A mesma opinião não têm os representantes locais dos partidos políticos da Oposição, que consideram a visita de João Lourenço como não sendo uma “varinha mágica” para resolver tudo nesta circunscrição.

Hamilton de Lemos, secretário municipal da coligação CASE-CE, considera a visita do Presidente da República como sendo uma “operação de charme”. Segundo o político, desde que foi anunciada a visita de João Lourenço ao Soyo, o município tem conhecido, nos últimos dias, uma melhoria significativa no fornecimento da energia eléctrica, no saneamento básico e nas principais vias de acesso que estão a ser intervencionadas com uma “velocidade de cruzeiro” para agradar o Presidente. “Tudo o que está a ser feito é para mostrar ao Presidente que está tudo bem. Mas a verdade não é essa.

Temos um município com sérios problemas sociais. Podem confirmar a tristeza desta cidade quando o Presidente voltar. É uma vergonha autêntica, nem parece que temos governantes”, denunciou.

No mesmo diapasão está António Cuva, secretário municipal da UNITA, que disse não gostar de ver a Administração do Soyo a fazer tudo para receber João Lourenço com “pompa e circunstância” quando, na verdade, segundo a diz, o município não dispõe de uma unidade sanitária e escolas condignas. “Esconder os problemas do Presidente não vai ajudar em nada. É preciso que haja transparência. Por isso, reiteramos sempre a necessidade da alternância no poder, porque de nada nos adianta termos sempre as mesmas pessoas a governarem mal”, protestou.

Actividades no Soyo

Para além do encontro com a juventude local, o Presidente da República vai visitar a central do Ciclo Combinado do Soyo e a fábrica de gás Angola LNG, para um conhecimento detalhado das várias fases da produção do gás liquefeito até à sua exportação.

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