“A África precisa repensar a sua história”

O bispo da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Os Tocoístas), Dom Afonso Nunes, afirmou que a África precisa repensar a sua história e a sua cultura

O prelado fez esta afirmação no termo de uma visita que efectuou esta Quinta-feira, 17, ao Museu Nacional de Escravatura, 22 quilómetros a sul de Luanda. Segundo Dom Afonso Nunes, que chefiou um grupo de fiéis da congregação que dirige, quando mais se revisitar a história, mais se cria ideias para melhor se projectar o futuro do continente. Segundo o líder religioso, a África deve colocar em primeiro lugar o africano, e a África tem de se reerguer, repensando a actual situação do ponto de vista político, económico e social.

Disse que a igreja tocoísta, sem desprimor para outros continentes, coloca em primeiro lugar o homem africano na sua dimensão cultural e espiritual. A visita, guiada, impressionou o bispo que percorreu as várias dependências que constituem o museu, durante a qual recebeu explicações pormenorizadas sobre o seu funcionamento. Dom Afonso Nunes disse ainda ser importante revisitar o museu para se honrar a memória colectiva de todos os angolanos que partiram como escravos, sem regresso às suas terras de origem. Aliás, esta visita coincide com uma dupla celebração, designadamente, os 400 anos do tráfico de escravos para as Américas, e os 70 anos da fundação da igreja, que se assinala a 25 de Julho, cujo ponto mais alto será no Santuário Tocoísta em Catete (Icolo e Bengo).

O religioso congratulou-se com o número de crianças que encontrou no local, que, segundo ele, com estas visitas começam a aprender muita coisa sobre a escravatura. A visita do bispo tocoísta começou na praça do artesanato,na área da cestaria, estendendose às artes plásticas, escultura, onde recebeu, também, explicações sobre a feitura de cada peça artística.

O Museu O Museu Nacional da Escravatura localiza-se no Morro da Cruz, na cidade de Luanda, em Angola. Dedicado à memória da escravidão, é uma destacada instituição cultural do país. Foi criado em 1977 pelo Instituto Nacional do Património Cultural com o objetivo de dar a conhecer a história da escravatura em Angola. O Museu Nacional da Escravatura tem a sua sede na Capela da Casa Grande, templo do século XVII onde os escravos eram baptizados antes de embarcarem nos navios negreiros que os levavam para o continente americano. O museu, que reúne e expõe centenas de peças utilizadas no tráfico dos escravos, está instalado na antiga propriedade do Capitão de Granadeiros D. Álvaro de Carvalho Matoso, Cavaleiro da Ordem de Cristo. Era filho de D. Pedro Matoso de Andrade, capitão-mor dos presídios de Ambaca, Muxima e Massangano, em Angola, e um dos maiores comerciantes de escravos da costa africana na primeira metade do século XVIII.

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