Bolseiros esperam do Estado políticas dirigidas de absorção de quadro

Com receio de cair no desemprego, depois de terminada a formação, alguns bolseiros, que se encontram a passar férias no país, mostraram- se preocupados pelo facto de verem certos congéneres nessa situação

Seis bolseiros que estudam fora de Angola apelaram, ontem, ao Executivo para que crie mecanismos de absorção dos técnicos que manda formar, a fim de justificarem, condignamente, a política de necessidade de formação. “Se o país gasta muitos milhões para garantir os nossos estudos no estrangeiro, pressupõese que, uma vez regressados, as competências e valências que absorvemos num sistema de ensino, teoricamente mais capacitado do que o nosso, sejam postas ao serviço da Nação, porque só isso justificaria a razão do envio como estudantes, na condição de bolseiros”, disse António Manuel da Silva de 24 anos de idade, que começou por agradecer a oportunidade dada pelo Instituto Nacional Gestão de Bolsa de Estudo (INAGBE) que, no universo de tantos aspirantes, aprovou a sua candidatura.

O futuro economista na especialidade de Moedas, Finanças e Bancos, que vai frequentar o último ano de licenciatura, na Faculdade de Ciências Económicas e Gestão, em Túnis (Tunísia), a partir de Setembro próximo, referiu que o técnico da sua área de formação tem muito a contribuir num país como o seu, que se considera de franco desenvolvimento.

Consciente de que o seu futuro profissional já não depende muito do INAGBE, António da Silva encoraja a instituição que o mandoumipara a referida nação magrebina a continuar a enviar bolseiros para aí, para não se quebrar a corrente de convivência entre os estudantes angolanos e a cobertura de necessidade do Estado Angolano nos sectores da economia, gestão e contabilidade, além das áreas de finança, administração bancária e tesouro. “Preocupa-me a desvalorização constante do Kwanza em relação às moedas estrangeiras, principalmente o dólar, na concorrência contra o qual se nota uma visível depreciação da moeda nacional”, declarou o estudante, para quem este fenómeno está a ser causado essencialmente por alguns factores que não merecem ser ignorados.

Trata-se da concorrência do mercado nacional, ligada à importação que o nosso país tem feito, sobretudo da que tem a ver com produtos que nós já produzimos, como fez questão de citar, tomate, cebola, cenoura, arroz, farinha de milho e feijão”, detalhou o presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Túnis, que não deixou de tocar na exportação, ao ponto de realçar que Angola exporta produtos que ainda constituem carência aqui, onde os mesmos ficam mais caros do que no estrangeiro.

Em relação a vida financeira do país, recomendou a necessidade de se reconhecer que existe uma anarquia no nosso sistema económico, por via de uma especulação concreta no mercado interno, esclarecendo que, no contexto da flutuação nos preços do dólar, há funcionários da banca que se apercebem de possíveis carências da moeda e fomentam as alterações. Para tal, aconselha que haja seriedade, compromisso e supervisão por parte dos gestores do tesouro público, que devem manter uma postura de autênticos patriotas dispostos a servir o país. Aliás, é esse sentimento que, em função das experiencias que ele e os seus colegas estão a viver, na Tunísia, assegura terem consolidado, a fim de não verem o seu país cair, aos poucos, socorrendo- se, essencialmente com a dívida pública.

Voluntários a trabalhar sem ganhar

Outros bolseiros que pediram o anonimato encorajaram o Governo a criar políticas de inserção dessa classe de formados, ainda que seja por 90 dias sem salário, a fim de os mesmos terem a possibilidade de mostrar as suas capacidades técnicocientíficas das áreas onde se formaram. “Os entrevistados, que se mostraram ávidos de trabalhar nas condições por si invocadas, emendaram, rapidamente, tendo acrescentado que, para tal, devem estar garantida a assistência de transporte, comunicação e alimentação. Finalmente, aludiram que era a procura de competências de níveis acima da média que levava o Estado Angolano a procurar formar os seus filhos fora do país, razão pela qual devia ser do interesse do Executivo se certificar se os tais objectivos têm sido alcançados. Nesse capítulo, os bolseiros não descuram a absorção por parte do empresariado do sector privado.

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