Bolseiro angolano quer saúde preventiva em Angola

Foi destacado, muito recentemente, na Faculdade Técnica de Saúde de Havana-Cuba (FATESA), onde, como bolseiro do Instituto Nacional e Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), frequenta o penúltimo ano do curso de sistema de informação em Saúde

Alberto Bambi

O futuro Técnico Sistema de Informação em Saúde, Fábio Marques, de 23 anos de idade, defende que a saúde preventiva é o melhor caminho para a realidade de Angola, porque os resultados inquestionáveis consistem, sobretudo, em evitar as enchentes nos hospitais e a tomada de medidas políticas, no sector, adequadas às necessidades reais para o bem-estar da população.

“É por isso que o meu grande desejo e, acredito, dos angolanos que amam a nossa pátria é ver o país a passar de um paradigma de saúde puramente curativa para a preventiva, já que esta última visa acautelar que haja muitos casos de doenças”, declarou Fábio Marques, acrescentando que não se trata de anular o primeiro sistema, porque, querendo ou não, os dois padrões convivem necessariamente.

Entretanto, assegurou, se a nossa prioridade se cingir à preventiva, os nossos serviços de Saúde dificilmente serão apanhados de surpresa, reduzindo-se, com isso, o tempo que se costuma verificar para se disponibilizar especialistas ou técnicos, meios, medicamentos e outros recursos, numa longa espera como é costume proceder em quase todos os estabelecimentos do país. Esse modelo só funciona de forma eficiente com a entrada em cena dos técnicos do sistema de informação em Saúde, que são muito poucos no nosso país, se se atender à necessidade e ao número de pessoas que esses especialistas devem atender por dia, por semana, mês ou ano.

Explicou que o referido técnico, com a sua carreira, ajuda na análise de informação, processamento e apresentação de resultados estatísticos, o que facilita a projecção de qualquer estratégia. “Sem a garantia desses dados, não se tem algo físico que comprove que uma determinada informação é verídica, pelo facto de, na maior parte dos casos, não se fazer um estudo prévio”, argumentou.

Questionado sobre os dados que são avançados pelo sector da Saúde, respondeu dizendo que eram indicativos estatísticos possíveis e que, para o nosso contexto, ainda constituem o ponto de partida para a prestação de serviços de Saúde pública. Entretanto, adiantou que podem ser melhorados com outras componentes mais técnico-científicas, ao ponto de representarem indicadores mais credíveis, ao invés de estimativas muito afastada de quadros reais, tendentes a não terem utilidade, depois de passado algum tempo.

Para dar sustentabilidade ao que acabava de afirmar, Fábio Marques narrou uma experiência vivida por si e seus colegas de curso, incluindo conterrâneos, em Cuba, que os levou, semestralmente, a participar em pesquisas. “Saímos para um determinado município, passamos de casa em casa, para saber da situação de cada família, registar quantas se encontram com febres, por exemplo, ou com outros males de saúde e fornecer estes dados ao sistema de informação”, detalhou o futuro técnico, revelando que era por estas e outras dinâmicas do género que os cidadãos em Cuba dispunham na própria base de dados de todas as instituições do sector o seu histórico de saúde.

Ocasião de passo soberano

“Em 2020, Angola poderá receber de Cuba cerca de 60 especialistas na carreira de Sistema de Informação de Saúde, o que pode representar para o nosso país uma soberana oportunidade para se reforçar e aprimorar, cada vez mais, o sector que cuida de aquisição e gestão da base de dados essenciais para o melhor desempenho dos profissionais da área”, revelou, falando, nessa altura, nas vestes de representante da área académica da sua faculdade (FATESA).

Realçou que esses especialistas ajudariam bastante na organização e processamento de informação, razão pela qual o interlocutor de O PAÍS, à semelhança de António Manuel da Silva, estudante angolano em Túnis-Tunísia, que, na edição de Sábado, 20, deste jornal, apelou ao Estado Angolano para ter uma política dirigida de absorção de técnicos, Fábio Marques é de opinião que o processo de formação de quadro devia ser sequencial, terminando com a inserção de quadros.

Além do dado que avançou em primeira estância, assegurou que, daqui a um ano, Angola ia ganhar mais de 120 especialistas da área de saúde, que, segundo pensa, seria um bom número de peritos para se consolidar e melhorar a dinâmica de aquisição de resultados positivos.

Finalmente, chamou atenção para que as suas alegações não sejam abafadas com o que considera de falso alarme, a invocação de falta de médicos.“Na verdade, o que se precisa é de especialistas áreas específicas, não geral, ortopedistas, octorrinolaringologistas, obstetras, psicólogos clínicos e outros que se dizem escassos no mercado interno”, discriminou, tendo informado que a faculdade cubana onde se encontra a estudar forma licenciados e não só em oito especialidades de maior carência em Angola, designadamente nutrição, optometria e óptica, além reabilitação e imagiologia e raio x.

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